Tarifas aéreas começam a subir

As companhias aéreas nacionais estão enfrentando a crise na aviação mundial com demissões, aumento de tarifas e cancelamento de vôos para o exterior. Ontem, a Varig e a TAM anunciaram o aumento nas tarifas domésticas. A TAM reajustou suas passagens em 2,97% e a Varig, em 3%. Ambas informaram, porém, que estão se antecipando ao reajuste dos combustíveis - que será anunciado na sexta-feira.A Varig foi a primeira empresa a divulgar, no dia 20 do mês passado, que tomaria providências por conta da crise da aviação. Anunciou a demissão de 10% do seu quadro de pessoal - 1.750 funcionários - e comunicou a perda de receita na ordem de US$ 700 milhões este ano.Outra providência da Varig foi suspender o plano de oferta de novos vôos para os Estados Unidos previstos anteriormente - seriam inauguradas sete novas linhas este ano. Após os atentados aos EUA, a TAM também suspendeu um vôo diário com destino a Miami até 14 de dezembro. A Lufthansa, por sua vez, vai suspender os vôos entre Frankfurt e Rio de Janeiro a partir de 28 de outubro.As saídas encontradas pelas companhias brasileiras são semelhantes àquelas adotadas pelas empresas aéreas no resto do mundo.O Swissair Group informou que planeja pedir concordata para obter a proteção contra os credores para o SAirGroup, a SAirlines e as companhias de leasing do grupo. A empresa anunciou que vai vender sua participação de 70% na Crossair Ltd para os bancos UBS AG e Credit Suisse Group, ao atual preço de mercado. A empresa também vai cortar 2.560 funcionários.A Iberia, maior companhia aérea espanhola, vai reajustar os preços de todas as suas passagens em oito euros (US$ 7,28), enquanto a Lufthansa reajustou suas tarifas em 8,69 euros (US$ 7,95). Já a holandesa KLM anunciou que vai aumentar em 5,43 euros (US$ 4,97) o preço das passagens, enquanto as companhias mexicanas subiram suas tarifas em US$ 5. Todas argumentam que os seguros e as medidas de segurança são o principal motivo pelo incremento nos preços das passagens.Para o ex-ministro da Aeronáutica e ex-presidente do Sindicato Nacional das Empresas Aéreas (Snea), Mauro Gandra, a crise é pior do que se poderia supor. "As empresas estão numa roda-viva", diz. "Com a demanda de passagens caindo, elas não podem aumentar muito as tarifas, mas têm de repassar seus prejuízos para os consumidores de alguma maneira". Segundo ele, só o tráfego aéreo americano já caiu 43% após os atentados. "A crise é muito pior do que podemos imaginar".

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