Tarifas continuarão a pressionar inflação em 2005

As tarifas vão permanecer como os vilões conhecidos da inflação em 2005, assim como ocorreu no ano passado, mas poderão concorrer com alguns fatores imprevisíveis na hierarquia de pressões sobre os índices de preços. O consultor do Grupo de Acompanhamento Conjuntural do Ipea, Eduardo Velho, avalia que não há qualquer descontrole previsto para a inflação brasileira neste ano, mas a meta rigorosa de 5,1% estabelecida pelo Banco Central, exigirá um monitoramento atento e permanente dos núcleos da inflação e do ritmo de aquecimento da economia.Para o economista Luiz Roberto Cunha, da PUC-RJ, as pressões tarifárias vão continuar, mas poderão sofrer a "concorrência" dos serviços, que com o aumento da renda poderão vir a pressionar a inflação. Como ponto favorável para redução da inflação dos preços livres, Eduardo Velho citou a queda na cotação das commodities agrícolas, que já começam 2005 em patamar de preços médios bem inferior ao do ano passado. Cunha também cita a queda das commodities como um dos pontos mais favoráveis para o comportamento da inflação neste ano. Eduardo Velho lembra ainda que a variação de 7% a 7,5% prevista para os preços administrados em 2005 não deverá surpreender. As elevações das tarifas de energia elétrica e ônibus urbanos, por exemplo, deverão exercer as maiores pressões de alta anual sobre a inflação, como já é esperado.Para ele, o ponto indefinido está nos combustíveis. Ainda que a tendência do preço do barril do petróleo seja de queda, o economista lembra que essa é sempre uma aposta incerta no horizonte inflacionário. Para ele, se o ritmo do crescimento econômico for muito intenso, poderão ocorrer reajustes de preços. O economista avalia que o ideal para o controle da inflação é que o crescimento continue em desaceleração na margem. Outro fator de atenção, segundo ele, é a taxa de juros norte-americana, que poderá afetar o câmbio que vem contribuindo para segurar a inflação brasileira.

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