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Tarifas da Gol serão reajustadas em 7%

A Gol anunciou hoje reajuste de 7% nas suas tarifas em toda a malha aeroviária. O índice está diretamente relacionado à alta do dólar, ao aumento no preço do querosene de aviação e ao dissídio coletivo dos aeroviários e aeronautas ocorrido em junho de 2002, informou a companhia. Foi o maior reajuste já feito pela Gol, mas o menor do setor até agora. Neste mês, as suas principais concorrentes (Varig, Vasp e TAM) aumentaram os preços em 8%.O anúncio por parte da Gol já era esperado no mercado, uma vez que a alta do câmbio penaliza fortemente as companhias aéreas, que têm 40% dos custos atrelados ao dólar. Analistas de bancos que acompanham o setor de aviação afirmam que novos reajustes podem ocorrer se o dólar continuar no nível em que está. O problema é que as companhias têm despesas em dólar e faturamento em reais. A única empresa que tem importante receita em dólar é a Varig, principal companhia nacional no exterior, que teve 88% de market-share no transporte internacional de passageiros em maio."Não tem como fugir do aumento porque os custos da aviação são todos nessa moeda", afirma o analista Alexandre Torrano, do Itaú. "A situação do câmbio pode até precipitar o fim da guerra da tarifas", acredita. O analista do Unibanco Carlos Albano, avalia, no entanto, que o aumento da concorrência no setor nos últimos tempos impedirá grandes reajustes.Os executivos da Gol adiaram por vários dias a definição sobre o reajuste porque a empresa tem as operações fundamentadas na tarifa mais atraente para o consumidor. A companhia iniciou em janeiro de 2001 o sistema de baixo custo e baixa tarifa no Brasil. Ela tem 15 aeronaves Boeing, atendendo 20 destinos. A empresa teve no mês passado 12,16% de market-share e mantém-se empatada com a Vasp na disputa pelo terceiro lugar entre as maiores companhias aéreas domésticas, atrás de TAM e Varig.TAMO presidente da TAM, Daniel Madelli Matin, informou que a desvalorização do real deve provocar um aumento nas tarifas das companhias aéreas. "É evidente que o dólar, a esta altura, pressiona o custo das empresas aéreas", disse ele após reunião com o ministro do Desenvolvimento, Sérgio Amaral. "A desvalorização do real foi forte e parte disto vai ter que ser repassado para o preço ou as empresas terão que aumentar a produtividade", afirmou. Ele lembrou que só existem duas formas de elevar a receita: ou aumentando o número de passageiros ou o preço das passagens. No entanto, o porcentual de reajuste, segundo ele, dependerá do comportamento do mercado nos próximos dias. Ele acredita que o câmbio deve ser estabilizar. "Uma definição maior do reajuste vai depender em que patamar o dólar vai se estabilizar", ponderou. Mandelli também defendeu a criação de um fundo de hedge para o setor aéreo. Esse fundo foi proposto pelo presidente da Infraero, Fernando Perrone, para socorrer as empresas aéreas em uma eventual flututação do real em relação ao dólar. "É lógico que seria bom, já que o dólar é um constrangimento para as empresas aéreas", ressaltou. Ele informou ainda que a TAM não tem intenção de negociar com a Varig uma parceria para operar no mercado internacional.

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