finanças

E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

Tarpon compra 25% da Arezzo por R$ 76 milhões

Com a entrada da gestora de recursos, grife de calçados quer criar uma nova marca no varejo e levar seu nome para outras linhas de produtos

Patrícia Cançado, O Estadao de S.Paulo

09 de novembro de 2007 | 00h00

Depois de uma negociação de apenas 90 dias, a grife de sapatos Arezzo decidiu vender, por R$ 76,3 milhões, 25% das suas ações para a Tarpon Investimentos. Parte do dinheiro irá para o bolso dos principais acionistas: Anderson e Alexandre Birman, respectivamente pai e filho. A outra será usada para financiar a expansão da companhia, que abarca também a marca Schutz, mais descolada e jovem que a Arezzo. "A venda é fruto de um planejamento que começou há 12 anos, quando fechamos a fábrica de sapatos", diz Anderson, fundador da Arezzo e amigo pessoal de um dos sócios da Tarpon. "Faremos um movimento de expansão e aquisição muito grande."Está nos planos dos Birman o lançamento de uma nova rede de varejo de calçados femininos cujo perfil ainda é mantido sob sigilo. Ele só revela que será mais acessível que a Arezzo, mas não necessariamente popular. A média de preços dos sapatos da grife é de cerca de R$ 150. Em paralelo, a Arezzo também pode levar sua marca para outras categorias, como acessórios, sapatos masculinos e femininos. "Nosso objetivo é trabalhar várias linhas sob o guarda-chuva Arezzo", diz Alexandre, que criou a Schutz há 11 anos, quando tinha apenas 20. A companhia, que fatura R$ 341 milhões e tem 234 lojas, também dará seqüência ao seu projeto de franquias no exterior. Hoje ela tem oito lojas em Portugal e Venezuela. Em breve, a marca deve assinar contratos com empresários na Argentina, Chile, Colômbia, alguns países do Oriente Médio e China. A experiência da China será a mais ambiciosa. Trata-se de um projeto que prevê a abertura, até 2016, de 300 lojas Arezzo em parceria com o grupo chinês Prime Success. Os calçados serão top de linha dentro do portfólio das marcas da Prime Success, uma das maiores empresas de calçados daquele país. Será uma operação típica de franquia, sem desembolso de dinheiro por parte dos Birman. NOVA GESTÃONa "nova companhia", Anderson permanecerá como presidente e Alexandre, o sucessor natural do pai, será o segundo na hierarquia. A Tarpon entrará com capital e técnicas mais sofisticadas de administração. Pelo contrato, ela deve ficar na Arezzo por, no mínimo, quatro anos. "A gente gosta de usar uma frase do (investidor americano) Warren Buffett que diz que o investimento dever ser encarado como um matrimônio católico", comenta um dos sócios da Tarpon, Pedro Andrade de Faria, 32 anos. A Tarpon, criada em 2002 para administrar recursos, fez o primeiro barulho no mundo empresarial quando quase derrotou a européia Arcelor numa disputa pelo controle da siderúrgica Acesita. Em 2005, comprou a BrasilAgro (especializada em aquisição de terras agrícolas) e abriu seu capital menos de um ano depois. Também foi fundadora da Brenco, um projeto do ex-presidente da Petrobrás Henri Reichstul para produção de álcool em larga escala. Nesse negócio, ela tem como parceira o fundador da Sun Microsystems, Vinod Khosla. A Tarpon, formada basicamente por jovens (eles não gostam de ser chamados de garotos), tem ainda cerca de R$ 400 milhões em caixa.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.