Tarso diz que PF não vazou documento do caso Cisco

Defesa do ministro é indício de que governo não pretende mais ver a instituição sendo alvo de críticas

Elizabeth Lopes, da Agência Estado,

25 de outubro de 2007 | 18h30

O ministro da Justiça, Tarso Genro, eximiu hoje a Polícia Federal (PF) de qualquer responsabilidade no vazamento de informações da Operação Persona, que investiga esquema de fraude e sonegação fiscal na multinacional Cisco Systems com prejuízo de R$ 1,5 bilhão aos cofres públicos. "O documento não saiu da PF e se depender de nós, não vai vazar mais", reiterou o ministro, após participar de assinatura de convênio do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), com o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), hoje, na capital paulista.Segundo foi revelado hoje pela imprensa, o vazamento quase comprometeu a investigação da PF e foi descoberto em documentos sobre a operação no escritório do advogado José Roberto Pernomiam Rodrigues, diretor de operações e finanças da empresa Mude Comércio e Serviços. Pernomiam é o mesmo homem que foi flagrado no do fim do primeiro semestre em interceptações telefônicas falando sobre uma doação de R$ 500 mil ao PT. Genro disse que o documento pode ter vazado por alguém que pegou a documentação na Justiça, mas não pela PF.A defesa que o ministro fez da PF pode ser um indício de que o governo não pretende mais ver a instituição sendo alvo de críticas por supostos vazamentos, como ocorreu às vésperas do primeiro turno da campanha presidencial do ano passado. Na época, o órgão flagrou uma montanha de dinheiro - cerca de R$ 1,75 milhão em notas de reais e dólares - que seria usada por petistas na compra do chamado Dossiê Vedoin, que seria usado contra políticos tucanos. Entenda a Operação Persona A multinacional americana do setor de informática Cisco Systems e sua subsidiária no Brasil foram os principais alvos da Operação Persona, da Polícia Federal, em conjunto com a Receita e o Ministério Público, para desmontar um esquema gigantesco de fraudes no comércio exterior. Montado em São Paulo e com ramificações no Rio de Janeiro e na Bahia, o esquema teria causado um prejuízo de R$ 1,5 bilhão em sonegação de impostos em cinco anos.  A investigação começou há dois anos. Segundo o Ministério Público Federal, pelos menos oito crimes teriam sido praticados: formação de quadrilha, falsificação de documentos, uso de documento falso, corrupção ativa e passiva, contrabando, sonegação de impostos, ocultação de patrimônio e interposição fraudulenta de importações. Existe ainda uma suspeita de evasão de divisas. Fiscais da Receita Federal encontraram indícios de lavagem de dinheiro no esquema de fraude e sonegação de impostos. Os investigadores desconfiam que o esquema tenha praticado evasão de divisas simulando o pagamento de direitos autorais de softwares. O dinheiro seria enviado para empresas offshore com sede no Caribe como se tratasse de operação para pagar os titulares da patente do software. Para a Polícia Federal, essa seria uma forma de ocultar patrimônio. Os fiscais da Receita que participaram da Operação Persona ficaram entusiasmados com os documentos apreendidos sobre as offshore. Essas empresas seriam responsáveis pela ligação entre as empresas fantasmas brasileiras e as americanas mantidas pelo esquema. Além de propiciar a evasão por meio do pagamento de direitos autorais falsos, as operações com os softwares permitiam, segundo os investigadores, uma outra fraude: fingir que o valor do software era muito superior ao do equipamento importado. Nesse caso, o esquema ganhava ao deixar de recolher o Imposto de Importação do equipamento, ao mesmo tempo em que aproveitava a isenção existente para o software.

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