Tarso Genro diz que Meirelles ´está muito bem´

Apesar de fazer coro com outros ministros contra a política de juros praticada pelo Banco Central, o ministro de Relações Institucionais, Tarso Genro, negou nesta quinta-feira que o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, esteja enfrentando problemas com o governo.Ele afirmou que não tem conhecimento de problemas no governo com o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. A uma pergunta sobre a situação do presidente do BC no governo, Genro respondeu: "Que eu saiba, está muito bem".Ele ainda evitou entrar na polêmica levantada pelo ministro do Trabalho, Luiz Marinho, que criticou na terça-feira política de juros adotada pelo presidente do BC. Disse que não leu as críticas: "Eu vou telefonar para ele (Marinho) para saber, porque não vi ainda (a entrevista)", respondeu.Na quarta-feira, diante de pressões generalizadas pela mudança da política monetária do BC, o governo desencadeou uma operação destinada a garantir a permanência de Meirelles na presidência do banco. O aval do presidente Lula a Meirelles veio por meio dos ministros da Fazenda, Guido Mantega, e do Planejamento, Paulo Bernardo, que garantiram não ter nenhum fundamento os rumores que davam ontem como certa a saída de Meirelles.Os dois ministros agiram para devolver ao mercado a tranqüilidade que as declarações de Marinho retiraram. Segundo Marinho, o BC errou ao reduzir o ritmo de queda dos juros. Ele chegou a responsabilizar a política de Meirelles pela redução da oferta de empregos no País.Críticas generalizadasSó nos dois últimos dias, Meirelles sofreu críticas públicas do ministro do Trabalho e do presidente do PT, Ricardo Berzoini (SP). Nos bastidores, a guerra é mais intensa e ideológica. O recrudescimento das críticas a Meirelles resultou do temor de que a forte valorização do real ante o dólar crie maiores dificuldades a vários setores da economia, como a indústria têxtil e de calçados e o agronegócio, e sepulte a agenda do desenvolvimento que foi explicitada no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).Nos debates internos, segundo testemunhas, o presidente do BC contrapõe o argumento de que a última decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), de reduzir o juro em apenas 0,25 ponto porcentual, e não mais em 0,50 ponto porcentual, não teve nenhuma relação com o PAC. Segundo este argumento, a decisão do Copom estava ligada à forte expansão dos gastos públicos no período pré-eleitoral.Os seus críticos, no entanto, argumentam que o movimento feito pelo Banco Central é incompatível com o espírito do PAC. Eles sustentam que a principal variável do PAC é a forte redução da taxa de juros até o final do segundo mandato de Lula. Só desta forma, dizem, seria aberto espaço fiscal para os investimentos em infra-estrutura previstos no PAC. Ao mudar a trajetória dos juros, o BC encolheu o espaço para os gastos.OpositoresHoje, no governo, os ministros Mantega, Dilma Rousseff (da Casa Civil), Tarso Genro, Luiz Marinho, Luiz Fernando Furlan (do Desenvolvimento), além do vice-presidente, José Alencar, e do assessor especial Marco Aurélio Garcia, formam coro contra a política de juros do BC. Consultores informais do presidente Lula também bombardeiam a política de Meirelles, como é o caso do ex-ministro Delfim Netto e o deputado Ciro Gomes (PSB-CE). A isso se somam lideranças do PT, como o seu presidente Berzoini e o senador Aloizio Mercadante (SP), estimulados pela redução da ênfase do PSDB na oposição ao governo.ExplicaçõesNas discussões internas, Meirelles tem explicado que o atual movimento do câmbio é passageiro e de fôlego curto. A queda do dólar resultaria, segundo essas explicações atribuídas a ele, da decisão do Fed americano, que indicou a manutenção da taxa de juro nos Estados Unidos.Esse anúncio teria provocado movimentos especulativos em todo o mundo, incluindo o Brasil. A prova de que essa trajetória tem fôlego curto seria o comportamento de ontem do mercado de câmbio, quando o dólar subiu e atingiu R$ 2,092.

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