Taxa básica de juros deverá subir no ano que vem

CENÁRIO: João Villaverde

O Estado de S.Paulo

08 de junho de 2014 | 02h05

A redução das taxas de juros foi uma das mais poderosas bandeiras levantadas pelo governo Dilma Rousseff nos últimos anos. Além de lançar mão dos bancos públicos em agressivas campanhas de redução das taxas, a gestão Dilma levou a Selic para a menor taxa de sua história entre 2012 e 2013. O cenário mudou, com a inflação média sempre acima de 6%, e a confiança do setor privado na política econômica em deterioração, especialmente após as ameaças de rebaixamento da nota de crédito brasileira - depois confirmadas - pelas agências de rating.

O mercado estima que a alta dos juros vai continuar em 2015. Segundo o boletim Focus, a Selic subirá dos atuais 11% ao ano para 12% ao ano em 2015, como forma principal de combate à inflação, que nos 12 meses terminados em maio, chegou a 6,37% - bem próximo do limite de 6,5%, o teto da meta perseguida pelo BC. Em 2013, o Banco Central passou o ano todo prometendo uma taxa de inflação inferior aos 5,84% registrados em 2012, e não cumpriu: o índice oficial de preços terminou o ano em 5,91%. Parte do governo credita o aumento mais forte dos juros neste ano, que levou a Selic a 11%, à essa promessa não cumprida, isto é, uma resposta antecipada do BC ao mercado.

O quadro para 2015 não é necessariamente positivo, quando o assunto são os juros. Aumentos em preços administrados, como conta de luz, passagens de transportes coletivos urbanos (como trens, metrôs e ônibus) e gasolina, são esperados, ainda que ninguém, em Brasília ou no mercado, arrisque dinheiro no tamanho de cada reajuste. Com isso, a inflação deve continuar pressionada, exigindo uma condução ainda conservadora da política monetária. A consultoria Tendências, por exemplo, estima que a conta de juros deve consumir 5% do PIB em 2014, e subir a 5,3% do PIB no ano que vem.

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