Taxa cambial, inflação e bens importados

A Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex) apresentou um estudo que mostra que os preços de produtos importados caíram. A sugestão é que a maior desvalorização da moeda nacional ajudaria a exportar sem excitar a inflação. Já o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, explicava no Senado por que, afinal, não é tão simples como parece.

O Estado de S.Paulo

13 de dezembro de 2012 | 02h09

O trabalho da Funcex se refere à queda de 3,4% nos preços de bens intermediários importados, entre agosto de 2011 e agosto de 2012, enquanto o volume comprado aumentava 2,36%. O Brasil teria, assim, se aproveitado da redução dos preços para importar mais bens intermediários e, com eles, aumentar a produção interna de bens duráveis. Mas essa produção caiu 19,3% no mesmo período, com preços que aumentaram 1,92%, apenas.

É provável que, num clima de crise internacional, os exportadores desses bens intermediários para o Brasil tivessem reduzido seus preços, embora isso não deva ter ocorrido nos produtos com maior incorporação de inovações, como indica a alta dos preços de bens duráveis.

Isso, porém, não é suficiente para dizer que não houve inflação para os importadores brasileiros, pois, na verdade, aos preços diretos dos produtos importados deve-se vincular os preços dos serviços de logística, transporte e desembaraço nos portos, lá fora e aqui dentro. E esses serviços, em muitos casos, tiveram acréscimos de preços maiores do que os dos próprios bens importados.

Isso significa que não se pode assegurar que os bens importados tiveram de fato uma redução de preços na destinação final. Na verdade, o que os importadores de bens intermediários fizeram - ou foram tentados a fazer - foi aumentar seus preços para os clientes no compasso da alta da taxa de câmbio, podendo até usar como justificativa a queda da margem de lucros verificada de uns tempos para cá.

É dentro dessas condições que se pode entender a advertência do presidente do Banco Central de que a inflação produz efeitos até sobre produtos que incorporam itens importados com preços menores - como os carros, por exemplo. E esse raciocínio justifica a preocupação de procurar conter a desvalorização da moeda nacional, apesar de ser essa uma operação custosa, especialmente quando é evidente que o governo já se decidiu a aumentar a capacidade de financiamento do BNDES por meio de emissões do Tesouro, que também se constituem em fator a mais de natureza inflacionária.

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