Taxa de administração elevada reduz ganho

Uma pequena diferença entre taxas de administração pode não preocupar muitos investidores, que na maior parte das vezes optam por aplicar o capital onde é mais cômodo. Porém, cálculos do professor de matemática financeira José Nicolau Pompeo, da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e da Pontifícia Universidade Católica (PUC), mostram que uma diferença mínima mensal na taxa pode afetar o desempenho dos fundos de renda fixa e DI em períodos mais longos. De acordo com a pesquisa, que leva em conta o desempenho líquido (descontada a CPMF e o Imposto de Renda) dos fundos DI em um ano, com a mesma incidência de juros, um fundo com taxa de 2% pode obter retorno de cerca de 56,01% do CDI (índice de referência dos fundos DI), enquanto outro com taxa de 4%, rende 44,42% (veja tabela abaixo). Bolívar Godinho de Oliveira, diretor da BMC Asset Management, diz que as altas taxas existentes no mercado devem-se à facilidade que os grandes bancos têm para atrair clientes e a falta de questionamento desse custo. Para ele, o princípio das elevadas taxas é o mesmo que faz com que os juros do cheque especial sejam os mais altos: facilidade e comodidade. Taxa de administração x valor da aplicaçãoEm geral, o investidor só consegue taxas menores se fizer um aporte elevado. É comum que uma instituição ofereça dois fundos com composição similar, mas com diferentes taxas de administração e, por conseqüência, ganhos. O executivo da BMC lembra, no entanto, que a taxa de administração é apenas um dos fatores a serem considerados na hora de investir. "Ler os prospectos, conhecer o perfil do gestor, saber o objetivo e o risco da carteira são outros itens importantes." Segundo cálculos de Oliveira, considerando o juro básico atual, de 19% ao ano, quem aplicar R$ 10 mil em um fundo DI com taxa de administração anual de 2%, terá desembolsado R$ 218,04 por conta do encargo após um ano. Se o dinheiro ficar aplicado por dez anos, o custo pulará para R$ 5.387,64. Taxa de administração x perfil da carteiraO diretor de Investimentos da Bank Boston Asset Management, Maurício D´Amico, afirma que pode valer a pena pagar uma taxa mais alta em fundos de ações ou multimercados, por exemplo. Neles a gestão é mais determinante no desempenho da carteira e o ganho pode compensar o custo. Entretanto, vale lembrar que nesses produtos pode ser cobrada também taxa de performance, a qual incide sobre o porcentual que supera o índice de referência da carteira. Alguns fundos de renda fixa direcionados a investimentos de curtíssimo prazo, como duas semanas, compensam a elevada taxa devolvendo a CPMF ao cliente. Porém, essa aplicação só é vantajosa nesses prazos menores, diz o professor Pompeo. PechincheComo não é sempre que o investidor possui um grande volume para investir, resta ao pequeno aplicador pechinchar. Segundo profissionais do mercado, investir menos que o piso é difícil. D´Amico diz que é a agência bancária que arca com a maior parte dos gastos do cotista e, se permitir aplicação abaixo do mínimo, o cliente sairá caro para o banco. "Se o correntista possuir mais de uma aplicação, a agência até poderá autorizar investimentos abaixo do mínimo, pois ele não oferecerá prejuízo", diz D´Amico. Assim, pode ser interessante, para quem investe menos de R$ 100 mil, manter os recursos em um só banco para obter taxas com descontos.Veja como o valor da taxa de administração afeta o rendimento Taxa de administração (ao ano)Ganho em relação ao CDI* (no prazo de um ano)2,0%56,01%2,5%53,09%3,0%50,19%3,5%47,30%4,0%44,42%* Índice de referência dos fundos DIFundos DIOs mais custososTaxasDesempenho em 2001 (%)Citidaily Plus7,578,87BB DI CPMF6,0010,45Unibanco DI Bônus5,0011,90Banco 1 DI Bônus5,0014,11Banestado DI FACFI4,0011,39Os menos custosos  Safra Títulos Públicos0,2017,30BMC Renda Fixa FIF0,2017,30Fibra Institucional DI0,2517,29Dreyfus Brascan DI FIF0,2517,29Votorantim Plus DI FIF0,2517,48Fontes: Anbid e José Nicolau Pompeu

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