Taxa de administração será decisiva

Maioria dos fundos de renda fixa só vai manter atratividade em relação à poupança se a taxa cobrada pelos bancos for inferior a 1,5%

LUIZ GUILHERME GERBELLI, O Estado de S.Paulo

04 de maio de 2012 | 03h08

A nova fórmula para o cálculo do rendimento da poupança - se a Selic chegar a 8,50% ao ano - ainda não deve tirar a atratividade da aplicação na comparação com os fundos de renda fixa. O que deve ocorrer é que o estreitamento dos rendimentos das aplicações vai obrigar o correntista a comparar as taxas de administração para garantir o melhor ganho no fim do mês.

Na simulação com a taxa Selic a 8,5% ao ano e a nova regra da poupança, a maioria dos fundos de renda fixa só fica atrativa com taxas de administração de até 1,5%, segundo levantamento da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).

Atualmente, com as regras em vigor, os fundos de renda fixa são mais vantajosos com taxas de administração de até 1%. "Acima de tudo, vai começar a valer o prazo da aplicação com mais ou menos incidência de Imposto de Renda e também a taxa de administração", diz Miguel de Oliveira, vice-presidente Anefac.

A fórmula elaborada pelo governo prevê que já com a Selic a 8,5% ao ano a "nova poupança" vai começar a render menos do que a poupança atual. Segundo cálculo do matemático José Dutra Vieira Sobrinho, também professor do Insper, o rendimento da poupança cairá dos atuais 6,53%para cerca de 5,95% ao ano. "Para os fundos de renda fixa, caso as taxas de administração sejam superiores a 1%, eles tenderão a perder na comparação com a poupança. Isso joga a pressão nos fundos para que eles reduzam as taxas de administração", afirma.

Segundo Oliveira, da Anefac, o momento para o investidor é de barganhar e pesquisar qual a melhor forma de investimento. "Se a taxa de administração for superior a 2%, o correntista deve negociar ou trocar de aplicação", diz Oliveira.

Também para ele, a nova fórmula para a poupança deve fazer com que os bancos acirrem a competição e, consequentemente, reduzam as taxas de administração dos seus fundos - na semana passada, a Caixa Econômica Federal reduziu as taxas de dois fundos de investimentos.

A recomendação do professor Samy Dana, da Fundação Getúlio Vargas, é que o correntista evite por enquanto as aplicações de renda fixa. Ele indica que o investidor coloque na ponta do lápis as novas tarifas e veja quais as vantagens de cada modalidade.

"O investidor precisa fazer as simulações e procurar entender os produtos financeiros. A gente passa uma revolução nessa mudança de taxa e cada vez vai ser mais difícil ganhar dinheiro fácil", afirma Dana.

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