Taxa de câmbio ideal é R$ 3, diz presidente da FIESP

O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, disse, nesta quarta-feira, ao comentar o anúncio de que o governo comprará cerca de US$ 3 bilhões até o primeiro semestre de 2005, que a taxa de câmbio ideal para os empresários de comércio exterior é de R$ 3. "É um nível equilibrado que não tira a competitividade do produto brasileiro no exterior", afirmou. Ao ser indagado sobre o debate dentro do governo federal sobre possíveis mudanças na política econômica, Skaf defendeu um ajuste fiscal forte, com corte de despesas públicas. Segundo ele, de janeiro a outubro, as despesas do governo subiram 13% acima da inflação. "Se não tivéssemos gastado assim, obviamente não teríamos necessidade de aumento de juros." O presidente da Fiesp reafirmou a necessidade de queda dos juros básicos e dos spreads bancários para o pleno crescimento da economia. Ele lembrou que os brasileiros, com a exclusão das três esferas do governo, pagam anualmente R$ 120 bilhões em juros. Skaf pediu uma ação "um pouco mais agressiva" do governo Lula na condução dos acordos comerciais. Segundo ele, a decisão de fortalecer o Mercosul deve ser levada adiante, mas sem prejuízo para os interesses do Brasil. Na noite desta quarta, o presidente da Fiesp se encontrará em Buenos Aires com empresários e com o chanceler argentino para discutir a relação comercial entre os dois países. De acordo com ele, a intenção é estabelecer uma agenda positiva em que sejam eliminadas as constantes reclamações dos argentinos em relação aos produtos brasileiros, à medida que a economia da Argentina está se recuperando e as empresas estão trabalhando a pleno vapor. Mais uma vez, o presidente da FIESP reclamou da decisão do governo brasileiro de reconhecer a economia chinesa como de mercado, afirmando que esta decisão fragilizou uns dos instrumentos mais fortes das relações comerciais, que é o antidumping. Em função disso, disse, a equipe de defesa comercial da Fiesp está estudando como se posicionará frente ao assunto. "Estamos numa guerra comercial e estamos no alerta vermelho", acrescentou Skaf.

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