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Taxa de corretora pode pesar na rentabilidade

Valor de corretagem pode ser fixo, um porcentual do total da operação ou híbrido

Fábio Gallo, O Estado de S.Paulo

05 de agosto de 2019 | 05h00

Com a recente queda de juros, estou querendo investir na Bolsa, mas não entendo os custos envolvidos nesse mercado. A taxa de corretagem é fixa? 

A taxa de corretagem é o valor cobrado pelos serviços prestados pela corretora de títulos e valores mobiliários. A corretora é o agente financeiro encarregado por você para realizar as ordens de compra e venda de ações ou outros ativos na Bolsa de Valores. Esse valor de corretagem pode ser fixo, uma porcentagem do total da operação ou uma taxa híbrida – parte fixa mais um porcentual. Outra coisa que deve ser considerada é que as taxas de corretagem variam conforme o mercado e os ativos negociados. Por exemplo, negociações com contratos futuros podem ter taxas diferentes daquelas para contratos de café, boi gordo, soja, milho e outros ativos desse mercado. Sobre a taxa de corretagem incide o Imposto Sobre Serviços (ISS) que tem a alíquota máxima de 5%. Assim, se a corretora cobrar R$ 10, o ISS será de no máximo R$ 0,50. A B3, a Bolsa de São Paulo, mantém uma tabela indicativa de valores para a taxa de corretagem com faixas, considerando o volume diário operado. A primeira faixa vai até o volume de R$ 135,07 ao dia, sendo que a corretagem é de zero mais o adicional de R$ 2,70. Na última das cinco faixas da tabela, para volumes acima de R$ 3.029,38, há a cobrança de 0,50% com adicional de R$ 25,21. Dessa forma, as corretoras podem cobrar valores distintos e mesmo isentar o investidor da taxa. Vamos então a algumas dicas para a hora de escolher a corretora: verifique se ela não está publicando o valor da taxa sem considerar o ISS; algumas instituições embutem custos dizendo que são gastos com a Bolsa; cuidado ao contratar pacotes, o investidor pode acabar contratando um pacote que é pouco utilizado. O fato é que as taxas de corretagem variam muito e você deve pesquisar bastante antes de fechar com alguma corretora. Esse valores podem pesar no custo da operação e reduzir a rentabilidade do investimento.

 

Tenho uma caderneta de poupança antiga, há 20 anos. Mas gostaria de sacar os recursos e reaplicá-los em produtos mais modernos, com maior rentabilidade. Acha uma boa ideia?

Sim, desde que seja dentro de uma estratégia planejada para a sua carteira. Você deverá fazer contas antes de simplesmente sacar o saldo. A caderneta de poupança “antiga” rende 6,17% ao ano mais a TR, que hoje está zerada. Assim, considerando esse rendimento frente à inflação prevista de 3,78% para 2019, o ganho real líquido da poupança deverá ser de 2,3%. É baixo, mas ganha na comparação com outros tipos de renda fixa que têm custos e desconto de imposto de renda. Principalmente se comparado com o Tesouro Selic no curto prazo. Com a queda de juros da nossa economia, a renda fixa tende a oferecer baixo retorno e não há saída diferente a não ser a recomendação do momento: o investidor que quiser realizar ganhos reais consistentes deve a aceitar mais risco e investir em renda variável. Comece a pensar em fundos multimercado e fundos de ações. Lembre-se de pesquisar bastante e aceitar somente fundos com baixo custo. Caso já tenha mais conhecimento de mercado, você deve criar a sua própria carteira, o que exige dedicação e conhecimento. Pesquisar sobre as corretoras em relação a custos e serviços oferecidos é muito importante. Faça a lição de casa e lembre-se de que o que gera riqueza é consistência na realização de investimentos e manutenção de seu orçamento muito controlado.

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