Taxa de desemprego cai para 12,4% em sete regiões metropolitanas, aponta Dieese

Dado refere-se ao mês de julho; Grande São Paulo tem menor taxa em 18 anos, de 12,6%

Ricardo Leopoldo, da Agência Estado,

25 de agosto de 2010 | 09h40

A taxa de desemprego caiu para 12,4% em sete regiões metropolitanas do Brasil em julho, de acordo coma pesquisa realizada pela Fundação Seade e Dieese. O desemprego estava em 12,7% em junho e em 14,8% em julho de 2009.

No mês passado, o número total de desempregados foi projetado em 2,729 milhões nas sete regiões, o que corresponde a 66 mil abaixo do resultado de junho.

O rendimento real dos ocupados apresentou elevação de 0,5% em junho, ante maio e passou a R$ 1.265,00. Na comparação com junho de 2009, tal rendimento cresceu 3%.

Já o nível de ocupação exibiu alta de 0,3% em julho ante junho, com a criação de 49 mil postos de trabalho. O total de ocupados nas sete regiões foi estimado em 19,277 milhões de pessoas. Na comparação com julho de 2009, o nível de pessoas ocupadas subiu 4,1%.

No conjunto das regiões, o nível de ocupação subiu 3,1% ou 38 mil na construção civil; avançou 0,7% ou 20 mil postos na indústria e cresceu 0,4% nos serviços, o equivalente a 37 mil ocupações.

Segundo a pesquisa, houve queda de 0,5% no comércio, o equivalente a 17 mil vagas, enquanto na categoria outros setores foi apresentada uma redução 1,8% ou 29 mil postos.

Grande São Paulo 

A taxa de desemprego na região metropolitana de São Paulo baixou para 12,6% em julho, de 12,9% em junho. Esta é a menor taxa da região paulista para meses de julho desde 1992, quando ficou em 16,2%. No mês passado, o número de desempregados foi projetado em 1,346 milhão de pessoas, 37 mil a menos que o registrado no mês anterior.

O rendimento médio real dos ocupados na região metropolitana de São Paulo ficou estável (0%) em junho ante maio e repetiu o valor de R$ 1.320,00, já registrado também em maio ante abril. Na comparação com junho de 2009, o rendimento médio real na região paulista teve avanço de 2%. O nível de ocupação em julho ante junho também ficou estável.

Em base mensal, foi registrada redução de 1,3% da ocupação no comércio, o equivalente a 19 mil postos de trabalho, enquanto no setor de serviços ocorreu uma queda de 0,5%, ou 28 mil vagas. Esses movimentos de retração foram compensados pela alta de 1,6% da indústria no período, o que significou avanço de 28 mil postos de trabalho, e da categoria outros setores, que subiu 1,7%, criando 18 mil vagas de emprego. Na comparação com julho de 2009, a ocupação subiu 3,8%.

Menor desemprego

A pesquisa apontou que Belo Horizonte apresentou a taxa mais baixa de desocupação, de 8,3%, seguida por Porto Alegre, com 8,9%. De acordo com o coordenador de pesquisas do Dieese, Francisco Oliveira, alguns fatores podem explicar o bom desempenho dessas áreas do País. São as únicas regiões que apresentam taxa de desemprego de um dígito, enquanto as outras cinco (São Paulo, Salvador, Recife, Distrito Federal e Fortaleza) registram um patamar superior a 10%. "Em Belo Horizonte e Porto Alegre, o mercado de trabalho é mais estruturado nos diversos segmentos produtivos, o que diminui naturalmente a participação do emprego informal", disse Oliveira.

Nessas duas capitais e em São Paulo, a evolução do nível de emprego foi marcada sobretudo pela expansão das contratações da indústria, o que, segundo ele, colaborou muito para puxar o nível de ocupação em outros segmentos, como comércio e serviços. No caso particular de Belo Horizonte, ocorreu uma alta muito forte das vendas do varejo no mês passado quando comparado a um período de 12 meses anteriores. "A economia em bom ritmo de expansão nos últimos 12 meses é a principal responsável pela queda da taxa de desemprego de 11% em julho de 2009 para 8,3% em julho de 2010 (-24,5%) em Belo Horizonte e de 12% para 8,9% (-25,8%) no mesmo período em Porto Alegre ", comentou Oliveira.

Para a economista do Dieese, Patricia Lino Costa, uma das hipóteses que pode explicar a evolução do varejo na capital mineira é que a cidade tem forte presença de atividades de comércio e serviços, fortemente atingidos no ano passado pelos efeitos da crise financeira internacional, que agora mostraram recuperação."A recuperação atual está vinculada à retomada do nível de atividade, inclusive no setor siderúrgico", disse Patricia.

Oliveira destacou que há uma boa evolução do nível de emprego também em outras capitais. Em Fortaleza, ele ressalta que o boom da construção civil está sendo determinante para levar a taxa de desemprego para uma marca historicamente baixa. De acordo com a PED, a região metropolitana cearense apresentou um nível de desocupação de 12,3% em julho de 2009, que baixou para 10,6% em junho deste ano e caiu para 10,2%, no mês passado.

No caso de São Paulo, além da construção civil e da indústria, o comércio também ajudou a melhorar o nível de emprego. Em julho do ano passado, a taxa de desemprego estava em 14,8%, baixou para 12,9% em junho de 2010 e atingiu 12,6% em julho deste ano.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.