Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Taxa de desemprego cai para 12,7% no trimestre encerrado em maio

‘Desalento’, ou pessoas que pararam de procurar emprego cresceu e reduziu taxa de desemprego

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

29 Junho 2018 | 09h00

RIO - A desistência de milhares de pessoas na busca por emprego impediu um avanço na taxa de desemprego no País, que ficou em 12,7% no trimestre encerrado em maio, ou 13,2 milhões de pessoas sem trabalho, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgados nesta sexta-feira, 29, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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Em apenas um trimestre, quase meio milhão de brasileiros abandonaram o mercado de trabalho, o que indica crescimento no desalento. O fenômeno ocorre quando as pessoas em idade de trabalhar deixam de procurar emprego por acreditarem que não conseguiriam uma vaga, por exemplo. A população inativa, formada por aqueles que nem trabalham nem buscam trabalho, avançou para 65,413 milhões de pessoas, nível recorde dentro da série histórica iniciada em 2012. Em um ano, 1,001 milhão aderiu à inatividade em todo o País. Como não são considerados desempregados, isso acaba melhorando, por efeito estatístico, a taxa de ocupação.

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“Nos últimos três ou quatro meses temos visto uma queda muito acentuada na taxa de participação (da população no mercado de trabalho). Tivemos uma grande decepção com a velocidade da recuperação da atividade econômica no começo do ano, um aumento nas incertezas. As pessoas têm enfrentado dificuldade de encontrar emprego. Quando alguém encontra, é provavelmente numa situação de precariedade. Isso tudo serve de incentivo para deixar de vez o mercado de trabalho”, disse Cosmo Donato, economista da LCA Consultores.

Ao todo, 204 mil pessoas foram demitidas no trimestre encerrado em maio, mas só 115 mil passaram a buscar uma vaga.

“O que tem impedido que a taxa de desemprego cresça é a PEA (População Economicamente Ativa). À medida que a atividade econômica cresce menos e há menor geração de vagas, cria-se um desestímulo à procura de trabalho”, corroborou Thiago Xavier, analista da Tendências Consultoria, que reduziu este mês a projeção de crescimento para o PIB de 2,8% para 1,7% em 2018.

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O coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo, calcula que cerca de 60% da população que está fora da força de trabalho, mas com potencial para voltar ao mercado, esteja em situação de desalento. Ele lembra que a redução na proporção de pessoas trabalhando nessa época do ano contraria uma tendência sazonal de geração de vagas. O nível de ocupação – que mede o porcentual de ocupados em relação à população em idade de trabalhar – diminuiu de 53,9% no trimestre até fevereiro para 53,6% no trimestre até maio. “O que preocupa é esse sinal negativo e significativo no nível da ocupação. Em maio, você tem uma proporção menor de pessoas ocupadas do que tinha em fevereiro.”

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Outro sinal negativo é a continuidade da extinção de vagas com carteira assinada no setor privado. Entre o trimestre encerrado em fevereiro e o terminado em maio foram perdidos mais 351 mil postos de trabalho formais, com destaque para as perdas nos segmentos de comércio e informação e comunicação. 

Para José Márcio Camargo, economista-chefe da Opus Investimentos e professor do Departamento de Economia da PUC-Rio, a tendência ainda é de melhora gradual, uma vez que a taxa de desemprego tem se mantido entre 0,5 a 0,6 ponto porcentual abaixo do ano passado. No trimestre encerrado em maio de 2017, a taxa de desemprego era de 13,3%. / COLABOROU THAÍS BARCELLOS

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