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Taxa de desemprego cai para 5,7%

Resultado de novembro é o menor da série iniciada em 2002, segundo o IBGE; contratação de temporários derrubou o indicador no mês

Mônica Ciarelli / RIO, O Estado de S.Paulo

18 de dezembro de 2010 | 00h00

A contratação de temporários para as festas de fim de ano derrubou a taxa de desemprego em novembro para 5,7% nas seis regiões metropolitanas pesquisadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O porcentual é o menor já registrado desde o início da série histórica em 2002. Ontem, o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, previu que a taxa deva cair ainda mais em 2011.

"No ano que vem ficará abaixo de 5,5%, em torno de 5,3%", disse Lupi, que irá permanecer à frente da pasta do Trabalho no governo Dilma Rousseff. A pesquisa do IBGE revela ainda outros recordes de baixa, como o da população desocupada, que fechou novembro em 1,359 milhões de pessoas. O número representa uma queda de 5,9% em relação a outubro e de 20,7% na comparação com o mesmo período do ano passado.

"Nunca o mercado de trabalho esteve tão bom quanto neste ano, não só pelo indicador de desocupação, mas também pela qualidade do emprego criado", afirmou o gerente da Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE, Cimar Azeredo. Segundo ele, a pesquisa de novembro comprova a recuperação do mercado de trabalho brasileiro, que trabalha com taxas declinantes de desemprego desde 2003. No acumulado de janeiro a novembro, a taxa média ficou em 6,9%, a menor da série histórica.

Para os economistas Bernardo Wjuniski e Rafael Bacciotti, da Tendências Consultoria, o desemprego deve se manter em queda nos próximos meses e continuar em níveis historicamente baixos. "O mês de dezembro deve registrar uma taxa de 5,4%, fazendo com que a taxa de desemprego médio de 2010 fique em 6,8% (anteriormente em 6,9%)", afirmaram.

Eles lembram que a queda "expressiva" no número de desocupados, que foi de 20,7% frente ao mesmo período do ano passado, indica que os brasileiros que procuraram emprego em novembro conseguiram ser absorvidos pelo mercado de trabalho.

Copom. O economista do BNP Paribas Asset Management Eduardo Yuki, acredita que a taxa mais baixa de desemprego apurada pelo IBGE aumenta as chances de o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central retomar o ciclo de alta na taxa básica de juros logo no começo de 2011.

"A taxa ficou substancialmente abaixo do que seria aquela Nairu", comentou Yuki, referindo-se à Non-Accelerating Inflation Rate of Unemployment, traduzida para o português como Taxa de Desemprego Não-Aceleradora da Inflação. "É mais uma preocupação no calendário e ajuda a sustentar nossa expectativa de que o BC vai aumentar os juros em janeiro", completou.

Segundo o gerente do IBGE, a redução do desemprego foi puxada pela boa fase do mercado de trabalho no Rio de Janeiro. Entre outubro e novembro, a taxa na cidade caiu para o menor nível, passando de 5,7% para 4,9%. Azeredo lembrou que o setor de comércio liderou as contratações na cidade, turbinado pelas expectativas em torno das vendas de fim de ano.

A cidade de São Paulo também atingiu o patamar mais baixo de desemprego em novembro, passando de 5,9% em outubro para 5,5%.

Renda. O ponto negativo da pesquisa foi a queda no rendimento real de 0,8% em novembro. A explicação está no aumento da inflação, que vem corroendo o poder de compra do trabalhador. Além disso, os trabalhadores temporários (principal motivo do aumento da ocupação) tendem a ganhar menos.

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