Rafael Neddrmeyer/Fotos Públicas
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Taxa de desemprego deve chegar a 11,7% em dezembro, avalia economista

Segundo a consultoria Tendências, crise de confiança paralisa as decisões de investimento e consumo das famílias, o que impacta o nível de emprego no País

Gabriela Lara, O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2016 | 12h09

PORTO ALEGRE - O mercado de trabalho brasileiro vai continuar em trajetória de deterioração ao longo de todo este ano, em decorrência dos reflexos da crise política e econômica que afetam o País, avalia o economista Rafael Bacciotti, da Tendências Consultoria. A taxa de desocupação no Brasil ficou em 10,2% no trimestre encerrado em fevereiro de 2016, de acordo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgada pelo IBGE. 

A previsão da Tendência é de que esta taxa chegue a 11,7% no trimestre encerrado em dezembro, descontando os efeitos sazonais. A média esperada para o ano é de 10,9%. "Estamos nos adequando ao cenário de demanda muito fraca", disse. "Há uma crise de confiança que paralisa as decisões de investimento e o consumo das famílias."

O economista acrescentou que, se o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro começar a se estabilizar no segundo semestre de 2016, o mercado de trabalho, com alguma defasagem, vai captar esse movimento somente em meados de 2017. "Então este ano ainda será muito ruim tanto em termos de emprego como de rendimento", resumiu.

Ele destacou que, no trimestre encerrado em março, houve uma queda de 1,3% da população ocupada, aliada a um aumento da 1,8% da força de trabalho. "Significa que há mais pessoas buscando emprego sem serem absorvidas", avaliou.

Bacciotti lembrou que a taxa de desocupação medida pela Pnad só não é maior porque está ocorrendo uma mudança no perfil do emprego no Brasil - muitas pessoas perderam o trabalho formal, com carteira assinada, e passaram a se dedicar a uma atividade por conta própria. "Isso contribuiu para atenuar a elevação do desemprego, mas boa parte dessas pessoas está na informalidade."

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