Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Taxa de desemprego recua para 12,3% no trimestre encerrado em julho

População desempregada é de 12,86 milhões, aponta IBGE; considerando o subemprego e o desalento, falta trabalho para 27,5 milhões de brasileiros

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

30 Agosto 2018 | 09h05
Atualizado 30 Agosto 2018 | 22h51

RIO - Em apenas um trimestre, o mercado de trabalho gerou 928 mil vagas, e 545 mil pessoas deixaram o desemprego. A taxa de desocupação caiu para 12,3% no trimestre encerrado em julho, de acordo com os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgados nesta quinta-feira, 30, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Porém, a queda no desemprego também teve ajuda de um recorde no desalento, fenômeno caracterizado pelas pessoas que deixam de procurar uma vaga por acreditar que não conseguiriam se inserir no mercado de trabalho. O País já tem 4,8 milhões de desalentados, maior patamar da série histórica iniciada em 2012. Outros 6,6 milhões de pessoas estão subocupadas, trabalhando menos horas do que gostariam, e 12,9 milhões estão desempregadas.

“Parte do desemprego está caindo em função do desalento, e em função do aumento dos subocupados”, avaliou Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE.

No trimestre encerrado em julho, mais 98 mil pessoas passaram ao desalento e outros 271 mil empregados aderiram à população que trabalhava menos horas do que gostaria. Se somados os desempregados, os subocupados por insuficiência de horas trabalhadas e os inativos que têm potencial para voltar ao mercado de trabalho, é possível dizer que faltou trabalho para um montante recorde de 27,555 milhões de pessoas.

“Você tem um aumento da geração de postos de trabalho, mas ainda tem uma situação desfavorável. Tem um volume grande de carteira assinada que se perdeu. O que tem hoje de aumento da população ocupada acaba sendo ofuscado por esse recorde da subutilização da força de trabalho. A situação está bastante complicada”, afirmou Azeredo.

De maneira geral, segue a recuperação do mercado de trabalho, porém a um ritmo um pouco mais lento que o inicialmente imaginado e sem pressões à vista sobre a inflação, opinou a economista-chefe da Rosenberg Associados, Thaís Zara. “A qualidade do emprego em 2018 deve ser superior à de 2017, com progressiva melhora do emprego formal, pontualmente interrompida no segundo trimestre, mas que deve ser retomada na segunda metade do ano”, completou Zara.

Situação do emprego no País pode ter interferência do cenário político

Segundo Azeredo, a situação do emprego no País é reflexo do que se passa na economia, mas pode ter interferência também do cenário político, por conta da proximidade das eleições. O coordenador do IBGE reconhece, entretanto, que o mercado de trabalho já está respondendo a uma tendência sazonal de geração de vagas, o que ele considera importante e bem-vindo.

Foram criadas 252 mil vagas com carteira assinada no setor privado no trimestre encerrado em julho, uma alta de 0,8% em relação ao trimestre encerrado em abril. “De forma alguma é sustentável. Temos uma grande incerteza sobre a recuperação da economia e o cenário eleitoral”, avaliou o economista Cosmo Donato, da LCA Consultores, sobre a melhora no mercado de trabalho em julho.

Para Donato, uma recuperação mais intensa do mercado de trabalho está condicionada ainda à definição do próximo governo e sinalizações positivas da classe política em torno da agenda de reformas necessária para melhorar a confiança dos agentes. / COLABORARAM CAIO RINALDI E MARIA REGINA SILVA

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