Marcos Santos/USP Imagens
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Desemprego atinge patamar recorde de 13,5 milhões de pessoas

Em um ano, o país perdeu 1,788 milhão de postos de trabalho, sendo 1,134 milhão com carteira assinada; no mesmo período, a população desempregada aumentou em 3,176 milhões e a população inativa cresceu em 730 mil pessoas

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

31 de março de 2017 | 09h10

RIO - Apesar dos sinais de melhora em alguns indicadores econômicos, o mercado de trabalho permanece em deterioração no País. O número de desempregados alcançou o patamar recorde de 13,547 milhões de pessoas no trimestre encerrado em fevereiro de 2017, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), iniciada em 2012 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Como consequência, a taxa de desemprego saltou de 10,2% no trimestre até fevereiro de 2016 para 13,2% no trimestre até fevereiro de 2017, também o número mais alto já registrado.

Em três anos, o total de desempregados no País mais que dobrou. Em fevereiro de 2014, havia 6,623 milhões de desocupados, contingente que subiu para os atuais 13,457 milhões, o equivalente a 6,924 milhões de desempregados a mais. “Quando você dispensa uma pessoa, você está levando ela e mais alguém [DA FAMÍLIA]junto para a fila da desocupação”, disse Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE.

[/DA FAMÍLIA]Só na indústria, já foram quase dois milhões de postos de trabalho fechados nesse período. “A indústria foi o grupamento, sem dúvida, que mais sentiu a crise. Todos sentiram, mas a indústria mais, por ser um grupamento mais organizado, por ter participação importante de estados como São Paulo, Minas Gerais, estados do sul do País”, argumentou Azeredo.

Evolução. Para o economista-chefe da consultoria Parallaxis, Rafael Leão, a deterioração do mercado de trabalho vai até o terceiro trimestre, com o desemprego atingindo o pico de 13,6% em julho. Leão acredita que a reoneração da folha de pagamento, anunciada pelo governo para ajudar a fechar o orçamento deste ano, pode atrasar a retomada do emprego.

“A reoneração da folha pode prejudicar a contratação de novos funcionários. O mercado de trabalho já está moroso e as empresas estão tentando se desalavancar. Com esse novo elemento, atrapalha um pouco”, disse.

As demissões em setores importantes da economia, como a indústria e a construção civil – que perdeu mais de 1 milhão de vagas desde 2014 –, afetaram também a formalização do mercado de trabalho. No ápice do trabalho com carteira assinada, em junho de 2014, o País contava com 36,9 milhões de empregados formais. Em fevereiro de 2017 esse contingente caiu para 33,7 milhões.

“A perda na carteira assinada é forte e de lenta recuperação. O retorno desse processo tende a ser mais complicado, de reconstituir aquele posto de trabalho formal”, alertou o coordenador do IBGE.

O resultado reforça a percepção de que o processo de retomada do mercado de trabalho será lento, de acordo com o economista Thiago Xavier, da Tendências Consultoria Integrada. “Difícil esperar que neste momento de atividade fraca o País consiga absorver a população desocupada”, resumiu Xavier. / COLABORARAM MARIA REGINA SILVA E THAÍS BARCELLOS

Mais uma vez a taxa de desemprego no Brasil bate recorde. Agora alcançou 13,2%, com mais de 13,5 milhões de desempregados. O número já assombra, mas a análise dos dados mostra situação pelo menos tão preocupante quanto a taxa em si mesma. Os dados indicam uma economia ainda cambaleante, com a grande maioria dos setores reduzindo pessoal. Os trabalhadores com carteira continuam a perder espaço relativo para os sem carteira. Temos ainda a redução de mais de 1 milhão de trabalhadores por conta própria em relação ao mesmo trimestre do ano passado.

A construção liderou a redução de vagas nos últimos 12 meses. A perspectiva econômica do setor é ruim, não devendo contribuir de forma positiva nos próximos meses. Mesmo a agropecuária, que deve ter forte desempenho no primeiro trimestre, apresenta números fracos em termos de emprego.

O início da recuperação deve incentivar as pessoas voltarem a procurar emprego, o que pode manter o desemprego elevado nos próximos meses. Teremos elevação gradual das vagas, mas o aumento da procura deve evitar a queda do desemprego. Ou seja, a situação é bastante difícil no mercado de trabalho, que deve prosseguir com trajetória negativa até pelo menos o início do segundo semestre. Infelizmente, nada encorajador.

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