Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Taxa de desemprego sobe para 14,2% no trimestre até janeiro, aponta IBGE

No mesmo período, total da população desocupada chegou a 14,3 milhões de pessoas

Daniela Amorim e Regina Silva, O Estado de S.Paulo

31 de março de 2021 | 09h06
Atualizado 01 de abril de 2021 | 01h03

RIO E SÃO PAULO - O País alcançou um número recorde de pessoas em busca de emprego no trimestre encerrado em janeiro. A taxa de desemprego subiu a 14,2%, pior resultado para o período dentro da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), iniciada em 2012 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O número de desempregados alcançou o ápice de 14,272 milhões de brasileiros, 2,359 milhões de pessoas a mais nessa condição em relação ao mesmo período de 2020. Em um ano, 8,126 milhões de trabalhadores perderam seus empregos.

A pesquisa mostra que falta trabalho para 32,380 milhões de pessoas no Brasil, incluindo um montante também recorde de 5,902 milhões de desalentados, pessoas que gostariam de trabalhar, mas que não buscam uma vaga por acreditarem que não encontrariam uma oportunidade, por exemplo.

 

Se todas as pessoas aptas a trabalhar buscassem um emprego, a taxa de desocupação poderia saltar para cerca de 20%, alerta o economista-chefe da gestora de recursos AZ Quest, André Muller. Por ora, os resultados sugerem que algumas pessoas voltaram a procurar uma vaga, dado o momento em que a atividade econômica continuou funcionando.

"Os dados refletem um período de atividade relativamente forte, com reabertura acontecendo no País, principalmente em janeiro, exceto em Manaus", avaliou Muller.

A taxa de desemprego de registrada no trimestre terminado em janeiro carrega forte influência da geração de vagas observada nos últimos dois meses de 2020, ou seja, ainda pode piorar nas próximas leituras, lembrou Adriana Beringuy, analista da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE.

“Tem dois terços deste trimestre que ainda estão ancorados lá no fim de 2020, que foi um momento em que houve reação importante do mercado de trabalho”, disse Adriana.

A pesquisadora lembra que existe um movimento sazonal na taxa de desemprego, que tende a cair ao fim do ano, com as contratações de trabalhadores temporários, mas subir nos primeiros meses do ano seguinte, quando esses funcionários são dispensados.

“Quando vira um ano, tende de fato a perder força desse crescimento (da ocupação). Com a entrada do mês de janeiro é normal que haja perda de fôlego do crescimento (da geração de vagas) que foi observado do fim do ano”, explicou Adriana.

A população ocupada ainda aumentou em 1,725 milhão de pessoas na passagem do trimestre terminado em outubro para o trimestre encerrado em janeiro. No entanto, o total de desempregados também cresceu, em 211 mil pessoas.

Adriana Beringuy ressalta ainda que a Pnad Contínua divulgada nesta quarta-feira, 31, está retratando ainda um momento anterior ao cancelamento do carnaval em várias cidades brasileiras e também ao endurecimento das medidas restritivas decretadas por governos locais em março para combater a disseminação da covid-19.

“A gente sabe que o cancelamento das festas de carnaval em cidades importantes pode ter influenciado (o desempenho do mercado de trabalho). A gente não tem ainda informação do trimestre encerrado em março, momento que a gente sabe que está havendo mais restrição”, apontou a pesquisadora do IBGE.

Embora os últimos meses do ano passado tenham mostrado reação no número de pessoas trabalhando, as perdas de postos de trabalho foram muito grandes durante a pandemia, e a população ocupada ainda está em patamar muito aquém do que era no período anterior à crise sanitária.

“O resultado positivo do fim do ano passado não reverte as perdas ao longo de 2020”, disse Adriana. “Estou muito distante de um ritmo de geração de trabalho para fazer essa taxa (de desocupação) baixar”, acrescentou.

O economista-chefe da gestora de recursos Western Asset, Adauto Lima, vê recuperação do mercado de trabalho, só que de forma lenta. "E só deve acontecer no segundo semestre, de maneira ampla [setores]", previu Lima. 

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