MÁRCIO FERNANDES/ESTADÃO
MÁRCIO FERNANDES/ESTADÃO

Taxa de desemprego se mantém em 11,2%, pior nível da série do IBGE

Dados apontam que, após crescer 17 trimestres móveis consecutivos, taxa permaneceu inalterada, mas País já soma 11,4 milhões de desempregados, número recorde para a Pnad

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

29 Junho 2016 | 09h46

RIO - A taxa de desemprego no Brasil permaneceu em 11,2% no trimestre até maio, repetindo o número visto nos três meses até abril, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua(PNAD) divulgada nesta quarta-feira, 29, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado veio dentro das expectativas dos analistas ouvidos pelo AE Projeções, que estimavam uma taxa de desemprego entre 11,10% e 11,70%, com mediana de 11,40%. 

Em igual período do ano passado, a taxa de desemprego medida pela Pnad Contínua estava em 8,1%. No trimestre encerrado em abril, o resultado também foi de 11,2%. Foi a primeira vez que houve estabilidade depois de 17 trimestres móveis consecutivos de crescimento da taxa de desocupação. 

A população desocupada cresceu 40,3% no trimestre móvel até maio, ante igual período de 2015, de acordo com dados da pesquisa. O contingente somou 11,440 milhões de pessoas, 3,3 milhões a mais do que no trimestre móvel encerrado em maio de 2015. O número renovou o recorde registrado no trimestre móvel até abril, quando o contingente era de 11,411 milhões de pessoas.

 

Setores. A demissão de trabalhadores na indústria pode ser maior se forem contabilizados os serviços terceirizados. O alerta, feito pelo coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo, considera a comparação do trimestre móvel encerrado em maio com igual período de 2015.

Segundo os dados, somente a indústria viu sua população ocupada encolher em 1,415 milhão de pessoas, para 11,752 milhões de trabalhadores, queda de 10,7% ante o trimestre móvel terminado em maio de 2015.

O segundo grupamento de atividade que mais demitiu na passagem de um ano foi "informação, comunicação, e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas", com 919 mil trabalhadores a menos na população ocupada no setor, uma queda de 8,6% no trimestre até maio ante igual período de 2015.

De acordo com Azeredo, esse grupamento inclui os serviços terceirizados. Embora não dê para estimar a parcela da população ocupada nesse grupamento que de fato presta serviços terceirizados para a indústria, o setor "absorve um grande contingente de terceirizado", disse o pesquisador do IBGE.

Segurança, limpeza, serviços de portaria são as principais atividades terceirizadas na indústria, segundo Azeredo. "Esse pessoal é terceirizado e acaba sendo dispensado por causa da crise da indústria", afirmou o pesquisador do IBGE.

Salário. A renda média real do trabalhador foi de R$ 1.982,00 no trimestre até maio de 2016. O resultado representa queda de 2,7% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A massa de renda real habitual paga aos ocupados somou R$ 175,6 bilhões no trimestre até maio, queda de 3,3% ante igual intervalo do ano passado.

Desde janeiro de 2014, o IBGE passou a divulgar a taxa de desocupação em bases trimestrais para todo o território nacional. A nova pesquisa substitui a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), que abrangia apenas as seis principais regiões metropolitanas, e também a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) anual, que produz informações referentes somente ao mês de setembro de cada ano. / COM INFORMAÇÕES DA REUTERS

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