Taxa de desemprego sobe de 6,2% para 6,5% em São Paulo

Greve no IBGE impede divulgação do índice nacional; dados do Rio foram coletadas mas não totalmente repassados

DANIELA AMORIM / RIO , O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2012 | 03h05

A greve dos servidores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) afetou a divulgação dos resultados da taxa de desemprego no País em junho. Não foi possível calcular a desocupação média nacional, porque foram liberados os dados de apenas cinco das seis regiões metropolitanas que integram a Pesquisa Mensal de Emprego: São Paulo, Belo Horizonte, Salvador, Porto Alegre e Recife.

As informações do Rio foram coletadas, mas, por causa da paralisação dos servidores, não foram repassadas integralmente aos técnicos da Coordenação de Trabalho e Rendimento para análise. "Não é a primeira vez que isso acontece. Nos anos 80, quando tinha muita greve de servidores, muitas divulgações foram afetadas, inclusive do IBGE. É claro que gera ruídos. É péssimo. O problema é se virar algo permanente", alertou José Márcio Camargo, professor da PUC-Rio e economista-chefe da Opus Investimentos.

Segundo o IBGE, os dados parciais apontam estabilidade no mercado de trabalho. Porém, em São Paulo, que tem peso de 40% na pesquisa, a taxa de desocupação cresceu 6,2% em maio para o mesmo nível verificado em março e em abril: 6,5%. "O aumento do desemprego em São Paulo é mais ou menos esperado, porque a região concentra muito do setor industrial, que não está contratando", disse Camargo.

A Opus calcula que, no Rio de Janeiro, se a taxa de desemprego tiver se mantido a mesma que em maio (5,2%), a desocupação total do País subiu 0,2 ponto porcentual em junho, de 5,8% para 6%. Mas, na visão do economista-chefe da corretora PlannerProsper, Eduardo Velho, ainda há uma tendência de queda no desemprego. A PlannerProsper prevê que a taxa de desemprego média no ano fique em 5,53%. Em 2011, a taxa foi de 5,96%.

O IBGE avalia que o momento é de estabilidade, sem avanço na geração de vagas, mas também sem aumento na desocupação. "Havia expectativa de que esse dado fosse apresentar já aumento na ocupação e queda na desocupação em algumas áreas, mas isso não aconteceu", afirmou Cimar Azeredo, gerente da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE.

Emprego formal. A boa notícia seria a manutenção nas vagas com carteira assinada. Na Região Metropolitana de São Paulo, o número de trabalhadores formais no setor privado ficou estável em junho ante maio, mas manteve o saldo positivo ante o mesmo mês de 2011 (4,8%).

O IBGE recebeu apenas 60% dos dados coletados em junho na região metropolitana do Rio, que tem o segundo maior peso na pesquisa (17% a 18%). As paralisações de servidores em greve em várias praças do IBGE resultaram ainda em lentidão na transmissão das informações nas demais regiões. "Geralmente, a PME (Pesquisa Mensal de Emprego) fica pronta duas semanas antes (da divulgação). Dessa vez, a PME ficou pronta dois ou três dias atrás", disse Azeredo.

Os servidores em greve não contestam a qualidade dos dados que já foram divulgados, mas alertam que as próximas divulgações serão prejudicadas caso a paralisação permaneça.

A coleta vem sendo feita por trabalhadores temporários, que não têm a mesma capacitação dos técnicos concursados, segundo Susana Drumond, diretora do Sindicato Nacional dos Trabalhadores do IBGE. A supervisão nas regiões pesquisadas também está comprometida, pois vem sendo feita à distância, pelo Rio. "O quadro técnico do IBGE tem formação e capacitação, que a cada dia melhora. O temporário não tem a mesma qualificação", disse Susana.

Os grevistas exigem reajuste salarial de 22%, retroativo a 1.º de maio. A paralisação teve início em 18 de junho. Mas, segundo a Coordenação de Comunicação Social do IBGE, as próximas divulgações de indicadores estão mantidas, sem prejuízo das informações já coletadas.

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