BOBBY FABISAK/JC IMAGEM
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Taxa de desemprego sobe para 11,3% no 2º trimestre, maior nível desde 2012

País já soma 11,6 milhões de desempregados, o que representa um avanço de 38,7% no segundo trimestre do ano ante o mesmo período de 2015

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

29 Julho 2016 | 09h39

RIO - A taxa de desocupação no Brasil subiu para 11,3% no segundo trimestre, de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgados nesta sexta-feira, 29, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Este é o maior patamar de desemprego já registrado pela Pnad Contínua desde o início da série, em 2012.

No segundo trimestre de 2015, a taxa de desocupação era de 8,3%. No trimestre encerrado em maio, o resultado foi de 11,2%. Já no consolidado do primeiro trimestre deste ano, a taxa havia alcançado 10,9%.

O resultado ficou alinhado com a previsão dos analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast, que estimavam uma taxa de desemprego entre 11,20% e 11,90%, com mediana de exatos 11,30%. Em igual período do ano passado, a taxa de desemprego medida pela Pnad Contínua estava em 8,3%. No primeiro trimestre deste ano, a taxa havia ficado em 10,9%, no maior patamar da história até então.

O País já tem 11,586 milhões de desempregados. O montante representa um avanço de 38,7% no segundo trimestre do ano ante o mesmo período de 2015, o equivalente a 3,231 milhões de pessoas a mais em busca de uma vaga.

Ao mesmo tempo, 1,413 milhão de postos de trabalho foram fechados, uma redução de 1,5% na população ocupada no mesmo período. Ainda no segundo trimestre, a população inativa cresceu 0,5%, com 344 mil pessoas a mais nessa condição, fora do mercado de trabalho.

Somente a indústria demitiu 1,440 milhão de trabalhadores no último ano. O montante representa uma redução de 11% no contingente de trabalhadores da atividade no segundo trimestre, ante o mesmo período do ano passado.

"A gente vê que a indústria, sem dúvida, é o grupamento que mais percebe essa crise", afirma Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE.

O coordenador do IBGE explica que o grupamento Informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas foi atingido também pela crise na indústria. O grupamento demitiu 1,079 milhão de pessoas em um ano, redução de 10% no total de ocupados em relação ao segundo trimestre de 2015.

"Esse grupamento carrega dentro dele os terceirizados, que são atingidos pela queda na indústria", justificou o coordenador do IBGE.

Renda. A renda média real do trabalhador foi de R$ 1.972 no segundo trimestre de 2016. O resultado representa queda de 4,2% em relação ao mesmo período do ano anterior e é o menor nível desde o trimestre encerrado em janeiro de 2013, quando era de R$ 1.969.

Diante de uma renda do trabalho em queda e uma população ocupada menor, a massa de renda real da população ocupada caiu ao menor patamar desde o trimestre encerrado em abril de 2013, quando era de R$ 173,274 bilhões. No segundo trimestre deste ano, a massa de renda ficou em R$ 174,647 bilhões, queda de 4,9% em relação a um ano antes.

"Demos uma marcha ré de pelo menos três anos", avaliou Azeredo. "A massa de rendimento menor vai inibir consumo, gastos. Ela vai se refletir no comércio, na indústria, e vai criar esse ciclo vicioso que a gente vê hoje no mercado de trabalho", acrescentou

Desde janeiro de 2014, o IBGE passou a divulgar a taxa de desocupação em bases trimestrais para todo o território nacional. A nova pesquisa substitui a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), que abrangia apenas as seis principais regiões metropolitanas, e também a Pnad anual, que produz informações referentes somente ao mês de setembro de cada ano.

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