Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Taxa de desemprego sobe para 12,4% e desalento bate recorde

Dados divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que 13,1 milhões de brasileiros são atingidos; número de pessoas que desistiram de procurar trabalho aumentou para 4,9 milhões

Vinicius Neder e Douglas Gavras, O Estado de S.Paulo

29 de março de 2019 | 09h04
Atualizado 29 de março de 2019 | 22h51

A taxa de desemprego no trimestre que terminou em fevereiro foi de 12,4%, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada na manhã desta sexta-feira, 29, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A população desocupada chega hoje a 13,098 milhões.

Como previsto por analistas, o resultado foi menor em comparação ao mesmo período concluído em fevereiro de 2018, de 12,60%. O resultado ficou acima, no entanto, dos 12% registrados no período imediatamente anterior, também dentro do esperado pelo mercado.

Para Daniel Duque, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), a alta do desemprego em fevereiro já era esperada, como um reflexo do fechamento das vagas temporárias que são abertas no fim do ano, sobretudo no comércio. "Em grande parte, tem essa questão sazonal, do encerramento de empregos temporários de Natal." 

"A recuperação é demorada, com uma queda mais lenta do desemprego do que se esperaria para o segundo ano após o fim da recessão. A economia ainda está desaquecida, o que acaba se refletindo no aumento do desalento e da subutilização dos trabalhadores. E a recuperação da economia, além de ser lenta, não está sendo sentida por todos. É por isso que vemos cenas, como a do começo da semana, em que 15 mil pessoas fizeram fila no centro de São Paulo para disputar 6 mil vagas", avalia Duque.

Desalento

O Brasil tinha 4,855 milhões de pessoas em situação de desalento no trimestre encerrado em fevereiro, segundo os dados da Pnad Contínua. O contingente manteve o nível recorde da série histórica do IBGE, iniciada em 2012.

Em um ano, 275 mil pessoas a mais caíram no desalento. Em relação ao trimestre encerrado em novembro de 2018, o resultado significa 150 mil desalentados a mais. 

A população desalentada é definida como aquela que estava fora da força de trabalho por uma das seguintes razões: não conseguia trabalho, ou não tinha experiência, ou era muito jovem ou idosa, ou não encontrou trabalho na localidade. Se tivesse conseguido trabalho, estaria disponível para assumir a vaga. Os desalentados fazem parte da força de trabalho potencial. 

“Dado que o desemprego chegou neste nível tão alto, isso alimenta o desalento também. Essas pessoas não se veem em condições de procurar trabalho”, explicou o coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo.

Segundo o IBGE, a renda média real no País no trimestre foi de R$ 2.285 por mês, alta de 0,7% em relação ao mesmo período do ano passado.

Vagas

O mercado de trabalho fechou 1,062 milhão de vagas totais no trimestre encerrado em fevereiro, em relação ao trimestre terminado em novembro de 2018.

Segundo Cimar Azeredo, esse fechamento de vagas, bem como o avanço da taxa de desemprego no trimestre, era esperada e se deve à dispensa de trabalhadores temporários.

"A perda de população ocupada é esperada, com dispensa de trabalhadores temporários", afirmou Azeredo, lembrando que, no fim do ano passado, temporários foram contratados para eventos específicos, como as vendas da Black Friday no comércio e as eleições gerais de outubro.

O pesquisador explicou ainda que esse movimento de alta na taxa de desemprego deverá seguir nos próximos meses, pois os dados referentes a dezembro, que ainda compõem o trimestre encerrado em fevereiro, ficarão para trás.

Na comparação com o trimestre terminado em fevereiro de 2018, a população ocupada cresceu em 1,036 milhão de pessoas, 1,1% a mais, sinalizando a criação de vagas totais. 

O contingente de trabalhadores ocupados com carteira assinada no setor privado ficou em 33,027 milhões de pessoas, 66 mil a mais do que no trimestre imediatamente anterior, terminado em novembro, mas uma queda de 99 mil trabalhadores ante um ano antes, sinalizando para o fechamento de vagas formais na comparação com o trimestre encerrado em fevereiro de 2018.

Ao mesmo tempo, o contingente de trabalhadores sem carteira assinada no setor privado aumentou em 367 mil pessoas na passagem do trimestre terminado em fevereiro do ano passado para o trimestre encerrado em fevereiro deste ano. Já na comparação com o trimestre terminado em novembro de 2018, o total de trabalhadores sem carteira assinada no setor privado diminuiu em 561 mil pessoas, 4,8% a menos.

Além disso, 644 mil indivíduos aderiram ao trabalho por conta própria no período de um ano. No trimestre encerrado em fevereiro passado, esse contingente foi de 23,779 milhões de pessoas.

O nível da ocupação, que mede o porcentual de pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar, foi estimado em 53,9% no trimestre até fevereiro deste ano, igual a do trimestre até fevereiro de 2018. No trimestre até novembro do ano passado, o nível de ocupação era de 54,7%.

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