Tiago Queiroz/Estadão - 20/5/2020
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coluna

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Taxa de desemprego sobe para 12,6% em abril e quase 5 milhões de brasileiros perdem o emprego

De todos que ficaram sem trabalho, 76% estavam na informalidade, segundo o IBGE; desalento atingiu novo recorde 

Daniela Amorim e Cícero Cotrim , O Estado de S.Paulo

28 de maio de 2020 | 09h11
Atualizado 28 de maio de 2020 | 15h15

RIO  e SÃO PAULO - A pandemia do novo coronavírus provocou uma destruição generalizada de postos de trabalho no trimestre encerrado em abril. Quase 5 milhões de brasileiros perderam o emprego, segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira, 28.

As demissões foram recordes em sete dos dez grupos de atividades econômicas, com destaque para o comércio, a indústria, a construção e os serviços domésticos. Os mais afetados foram os trabalhadores informais. Segundo Adriana Beringuy, analista da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE, o mês de abril teve um desempenho “totalmente atípico de tudo que já vimos na série histórica”. “De fato o isolamento social tem um peso bastante importante na resposta desses movimentos (no mercado de trabalho)”, afirmou.

De todos que perderam emprego, 76% trabalhavam na informalidade, o que reduziu a proporção de informais entre os trabalhadores ocupados.

“Todos estão perdendo (emprego), todos estão saindo da ocupação, mas os informais com uma intensidade muito maior. Essa queda não está associada a uma melhora qualitativa do mercado de trabalho, ela está associada a uma dispensa intensa, uma perda da ocupação tanto pelos formais quanto pelos informais”, disse Adriana Beringuy.

No trimestre encerrado em abril, houve dispensa de 1,547 milhão de pessoas sem carteira assinada no setor privado, enquanto 1,196 milhão de trabalhadores por conta própria perderam suas ocupações. Outros 736 mil trabalhadores domésticos perderam seus empregos no trimestre. O trabalho formal também encolheu: 1,504 milhão de vagas com carteira assinada foram extintas.

A taxa de desemprego subiu de 11,2% em janeiro para 12,5% em abril. O resultado só não foi ainda mais elevado porque houve migração recorde de pessoas para a inatividade. O desalento atingiu o maior patamar da série histórica, havia mais de 5 milhões de pessoas que não trabalhavam nem buscavam uma vaga por acharem que não conseguiriam emprego, por exemplo.

"O ponto é que as pessoas estão perdendo o emprego e saindo do mercado de trabalho. É similar ao que acontece em uma grande recessão, quando quem é demitido não tenta encontrar um novo emprego", afirmou o economista-chefe do banco de investimentos Haitong, Flávio Serrano.

De acordo com Serrano, as medidas de isolamento social para contenção do coronavírus são a chave desse movimento. Por isso, o desemprego deve avançar rapidamente nas divulgações de junho em diante, quando forem levantadas as restrições à circulação em São Paulo e, possivelmente, nos demais Estados do País. A pesquisa do IBGE considera como desempregados apenas aqueles que efetivamente tomaram alguma medida para buscar trabalho.

"O que temos, agora, é uma restrição de mobilidade que contém o desemprego. Quando tiver o relaxamento, quem está desempregado vai começar a buscar, vai aumentar a população desocupada, e nós podemos ter um pico de taxa de desemprego entre 14,0% e 15,0%", estimou Serrano.

Como consequência da deterioração do mercado de trabalho, a massa de renda em circulação na economia registrou queda recorde no trimestre encerrado em abril, 3,3%, R$ 7,317 bilhões a menos em apenas um trimestre.

"Em linhas gerais, é um resultado muito ruim do mercado de trabalho. Coloca um viés negativo sobre a renda, sobre a massa salarial, sobre a demanda agregada. Isso também reforça que é baixíssima a probabilidade de qualquer problema inflacionário e, inclusive, mostra chance de um problema de deflação", opinou o economista-chefe da consultoria Parallaxis Economia, Rafael Leão, que prevê a taxa de desemprego próxima de 15,5% entre agosto e setembro deste ano.

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