Tiago Queiroz/Estadão - 20/5/2020
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coluna

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Com pandemia, taxa de desemprego sobe para 12,9% e 7,8 milhões de brasileiros perdem o trabalho

Segundo o IBGE, no trimestre encerrado em maio a população ocupada era de 85,9 milhões de pessoas, a menor da série histórica da Pnad Contínua, iniciada em 2012

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2020 | 09h25
Atualizado 30 de junho de 2020 | 15h37

RIO - A pandemia da covid-19 continua provocando estragos profundos no mercado de trabalho. No trimestre em que a crise sanitária se agravou no País, de março a maio, 7,8 milhões de pessoas perderam o emprego, segundo dados divulgados nesta terça-feira, 30, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A população ocupada desceu a 85,9 milhões de pessoas, a menor da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), iniciada em 2012. Pela primeira vez, menos da metade da população em idade de trabalhar estava de fato ocupada.

A taxa de desocupação no Brasil ficou em 12,9% no trimestre encerrado em maio. No trimestre de dezembro de 2019 a fevereiro de 2020, quando o País ainda não sentia o impacto da crise provocada pela pandemia do novo coronavírus, a taxa de desemprego era de 11,6%.

O País já tem 12,7 milhões de desempregados. São mais 368 mil pessoas à procura de trabalho em relação ao trimestre anterior. Por esse ângulo, nem parece que houve uma piora tão grande no mercado de trabalho.

Mas é nos outros números da pesquisa que aparece o cenário trágico. A população fora do mercado de trabalho, que inclui as pessoas que não estavam trabalhando nem procurando trabalho, cresceu em 9 milhões de um trimestre para o outro, chegando a 75 milhões, um número recorde.

"É o pior momento em termos de pessoas fora do mercado de trabalho", disse Adriana Beringuy, analista da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE.

Segundo Adriana, a opção de aderir à inatividade em vez de procurar um trabalho está ligada às medidas de distanciamento social, mas também tem relação com a falta de perspectiva de encontrar um emprego.

“Quando saírem da inatividade, elas teriam dois caminhos, ou procurar e achar ou continuar procurando e não achar”, lembrou Adriana. “Não está tendo no horizonte reação de absorção de mão de obra, muito pelo contrário. A gente tem visto empresas e comerciantes apontando expectativa de redução de vendas e demanda. Agora, como essa população vai ser absorvida pela força de trabalho, seja na forma de ocupados ou desocupados, isso vai depender muito de como o mercado está demandando trabalho”, completou a pesquisadora.

O número de desalentados - que não buscam trabalho por acharem simplesmente que não vão conseguir uma vaga - alcançou o auge de 5,411 milhões. O resultado significa 718 mil desalentados a mais em relação ao trimestre encerrado em fevereiro, um salto de 15,3%.

"O que a gente percebe é que tem um efeito desalento que tem favorecido uma taxa menor de desemprego, mas não quer dizer que o mercado de trabalho não esteja em franca deterioração", diz Luciano Rostagno, estrategista-chefe do Banco Mizuho. Para ele, a taxa de desemprego deve continuar subindo, atingindo o pico em setembro (15,5%).

A renda média real do trabalhador foi de R$ 2.460 no trimestre encerrado em maio. O resultado representa alta de 3,6% em relação ao trimestre anterior. O avanço, porém, é explicado pela redução no emprego menos qualificado, que aumentou a média salarial de quem permaneceu empregado. A perda de ocupação durante a pandemia foi mais acentuada entre os trabalhadores informais, que recebem tradicionalmente menores rendimentos.

Como consequência, em apenas um trimestre, quase R$ 11 bilhões em remunerações de trabalhadores deixaram de circular na economia. / COLABOROU THAÍS BARCELLOS

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