Nilton Fukuda/Estadão
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Sob impacto da pandemia, população desempregada aumenta 33% desde maio

Taxa de desemprego chegou a 14% em setembro, a maior desde o início da pesquisa Pnad Covid, do IBGE; auxílio emergencial chegou a menos domicílios no mês passado

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

23 de outubro de 2020 | 11h51

RIO - A taxa de desemprego aumentou de 13,6% em agosto para 14% em setembro, maior resultado da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Covid (Pnad Covid-19) mensal, iniciada em maio pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em setembro, a população ocupada totalizou 82,934 milhões de pessoas, acima dos 793 mil de agosto. No entanto, o total de ocupados ainda não retomou o patamar de maio, quando somava 84,4 milhões de pessoas.

A população desocupada cresceu de 12,9 milhões em agosto para 13,5 milhões de pessoas em setembro, um aumento de 4,3% ante agosto, cerca de 560 mil pessoas a mais. Em relação a maio, quando teve início a pesquisa, a população desempregada saltou 33,1%.

"A população desocupada aumenta continuamente desde o início da pesquisa. Com a questão do relaxamento do isolamento social e a redução de casos de covid diários, as pessoas começaram a não ter mais a pandemia como principal motivação para não procurar trabalho. Claro que há outros motivos, mas ela deixa de ser a principal motivação", apontou Maria Lucia Vieira, coordenadora de Trabalho e Rendimento do IBGE.

O contingente de inativos diminuiu de 75,2 milhões em agosto para 74,1 milhões em setembro, uma redução de 1,5%. Entre os inativos, 26,1 milhões gostariam de trabalhar, mas não buscaram trabalho, sendo que 16 milhões deles argumentaram que não procuraram uma vaga devido à pandemia ou à falta de trabalho na localidade.

Dos 82,9 milhões de ocupados em setembro, 5,4 milhões estavam afastados do trabalho que tinham na semana de referência, sendo 3,0 milhões deles devido ao distanciamento social. Os indicadores vêm caindo desde o início da pandemia devido à redução das medidas de isolamento. Entre os ocupados afastados do trabalho em setembro, aproximadamente 1,1 milhão de pessoas estavam sem receber remuneração.

Entre as regiões, a taxa de desocupação foi mais elevada no Nordeste (16,9%), seguida por Norte (14,8%), Sudeste (14,2%), Centro-Oeste (12,1%) e Sul (9,8%).

A taxa de desemprego entre as mulheres foi de 16,9%, ante um resultado de 11,8% entre os homens. A taxa de desemprego aumentou 0,7 ponto porcentual em relação a agosto entre as pessoas de cor preta ou parda, para 16,1% em setembro. Já a taxa de desocupação dos brancos ficou estável em 11,5%.

Auxílio emergencial

Em meio ao cenário ainda difícil no mercado de trabalho, o pagamento do auxílio emergencial alcançou menos domicílios em setembro. Mas o valor médio recebido não caiu na mesma proporção que o valor do próprio auxílio pago à população, segundo os dados da Pnad Covid-19.

O auxílio emergencial chegou a 29,9 milhões de domicílios em setembro, ante 30,1 milhões em agosto. A proporção de lares brasileiros que receberam algum auxílio relacionado à pandemia diminuiu de 43,9% em agosto para 43,6% em setembro.

“Em relação à proporção de domicílios, pode ser uma variação amostral também, para a gente é igual (estatisticamente)”, afirmou Maria Lucia Vieira.

O valor médio do benefício recebido foi de R$ 894 por domicílio em setembro, ante R$ 908 em agosto. O auxílio pago pelo governo desceu de R$ 600 em agosto para R$ 300 em setembro, mas a pesquisa do IBGE considera não apenas o auxílio emergencial, mas também a complementação do governo pelo Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda, o que ajudava a explicar a incidência de recebimento de benefício entre domicílios com renda mais elevada.

“A gente não tem só auxílio aqui. A maior parte é auxílio, mas não é só ele”, disse Maria Lucia. “Tenho aqui a primeira semana de coleta (de setembro), a segunda semana também. Pode ser que não tinham recebido ainda o valor efetivamente de R$ 300 em setembro. Mas não tenho esse indicador por semana”, justificou.

Na Região Norte, 59,8% dos domicílios recebiam algum tipo de auxílio, enquanto essa fatia era de 58,8% no Nordeste.

Quase sete meses após o agravamento da crise sanitária da covid-19 no Brasil, os trabalhadores que permaneciam empregados ainda enfrentavam dificuldades para recompor a renda do trabalho perdida na pandemia. O rendimento médio habitual de todos os trabalhos era de R$ 2.378 em setembro, mas os trabalhadores receberam efetivamente, em média, R$ 2.168. Ou seja, a renda efetiva representou 91,2% do que seria habitualmente recebido.

Apesar da defasagem, houve melhora em relação a agosto quando a renda efetiva alcançava 89,7% da renda habitual. Em maio, quando começou a pesquisa a renda efetiva correspondia a apenas 81,5% do rendimento habitual.

O rendimento médio real domiciliar per capita efetivo do País foi de R$ 1.320 em setembro, 0,7% acima dos R$ 1.311 registrados em agosto. Os menores valores foram registrados nas regiões Norte (R$ 918) e Nordeste (R$ 922).

Em setembro, o rendimento médio domiciliar per capita dos domicílios brasileiros onde nenhum dos moradores recebia algum auxílio do governo em função da pandemia alcançou R$ 1.821, mais que o dobro dos R$ 825 recebidos nos lares onde algum morador recebia o auxílio.

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