Camila Domingues/ Palácio Piratini
Camila Domingues/ Palácio Piratini

Taxa de desemprego volta a subir e fecha o trimestre em 10,9%

Trata-se do maior resultado já registrado na pesquisa, iniciada em 2012; no quarto trimestre do ano passado, a desocupação foi de 9%

Idiana Tomazelli, O Estado de S.Paulo

29 de abril de 2016 | 09h24

RIO - A taxa de desocupação no Brasil voltou a subir e fechou o primeiro trimestre de 2016 em 10,9%, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Trata-se do maior resultado já registrado na série da pesquisa, iniciada no primeiro trimestre de 2012. 

O dado ficou dentro das expectativas dos analistas, que estimavam uma taxa de desemprego entre 10,10% e 11,10%, com mediana de 10,70%. No quarto trimestre do ano passado, a taxa de desemprego medida pela pesquisa estava em 9%. Nos primeiros três meses de 2015, o resultado foi de 7,9%.

O número de desocupados avançou. Ante os três primeiros meses de 2015, a alta foi de 39,8%, o que significa 3,155 milhões de pessoas a mais na fila por uma vaga. Na comparação com o quarto trimestre, a alta foi de 22,2%. Apenas na passagem do trimestre, 2,016 milhões de brasileiros engrossaram a busca por trabalho.

Enquanto a procura aumenta, a disponibilidade de vagas diminui. O Brasil fechou 1,384 milhão de vagas no primeiro trimestre de 2016 ante igual período de 2015, uma queda de 1,5% no período. No confronto com o quarto trimestre do ano passado, o baque foi ainda maior, com extinção de 1,606 milhão de postos, recuo de 1,7%.

A renda média real do trabalhador foi de R$ 1.966 no primeiro trimestre de 2016. O valor representa queda de 3,2% ante igual período do ano passado. Já na comparação com o quarto trimestre de 2015, houve avanço de 0,3%. 

Desde janeiro de 2014, o IBGE passou a divulgar a taxa de desocupação em bases trimestrais para todo o território nacional. A nova pesquisa substitui a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), que abrangia apenas as seis principais regiões metropolitanas, e também a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) anual, que produz informações referentes somente ao mês de setembro de cada ano.

A indústria demitiu 1,52 milhão de pessoas no período de um ano até o primeiro trimestre de 2016, uma queda de 11,5% na comparação com os primeiros três meses de 2015. No início do ano passado, a indústria tinha 13,242 milhões de trabalhadores no Brasil, segundo o IBGE. Hoje, são 11,722 milhões. Apenas na comparação com o quarto trimestre de 2015, a indústria demitiu 645 mil pessoas, queda de 5,2% no contingente de empregados.

No período de um ano, o setor de informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliários, profissionais e administrativas também demitiu 656 mil pessoas. 

Informalidade. Com tantas demissões, o emprego com carteira assinada no setor privado caiu 4% no primeiro trimestre de 2016 ante igual período de 2015. Ao todo, 1,435 milhão de pessoas perderam o trabalho formal no período. Na comparação com o quarto trimestre de 2015, a queda no emprego com carteira foi de 2,2%, o que significa um corte de 772 mil vagas registradas no período.

No sentido contrário, o emprego por conta própria, muito marcado pela informalidade e com renda média inferior ao trabalho formal, tem aumentado. Ante o primeiro trimestre de 2015, houve alta de 6,5%, com 1,413 milhão de pessoas a mais trabalhando nessa modalidade. O trabalho doméstico também cresceu no período de um ano. São 202 mil pessoas a mais nesta posição, alta de 3,4% no primeiro trimestre de 2016 ante igual período de 2015. 

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