Taxa de importação de trigo pode cair

Os sete ministros que integram a Câmara de Comércio Exterior (Camex) decidem hoje se permitem ou não a importação de trigo de países como Canadá e Estados Unidos com alíquota zero de imposto de importação (TEC). O debate interno deve considerar dois aspectos: a renda do produtor nacional e o aumento do preço do pãozinho. Mesmo com a redução das exportações do cereal argentino para o Brasil, o Ministério da Agricultura defende a manutenção da TEC nos atuais 10% para importações de países fora do Mercosul. Por outro lado, o Ministério da Fazenda está monitorando o impacto na inflação se os moinhos precisarem comprar o trigo mais caro.Para a indústria, ou o Brasil reduz a TEC a zero ou o preço do pãozinho subirá. Por isso, o setor tem negociado com o governo a derrubada da tarifa. "Trigo sem TEC não é uma alucinação dos moinhos, é uma constatação", argumenta o presidente do Sindicato das Indústrias de Trigo do Rio de Janeiro e conselheiro da Associação Brasileira da Indústria de Trigo (Abitrigo), Antenor Barros Leal. "Se o governo quer importar com TEC e não tiver problemas com a alta do preço do pãozinho, não tem problema nenhum." O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, entretanto, garante que os estoques são suficientes até que a colheita brasileira tenha início, em agosto ou setembro. "O mais provável é que não haja importação (sem a TEC) em 2009", disse recentemente. O ministério calcula a duração dos estoques por até 120 dias. Stephanes quer evitar a repetição do que ocorreu no ano passado: a importação sem TEC foi liberada e, meses depois, com a oferta da safra nacional, os preços internos caíram.

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