Taxa de inflação que reajusta os aluguéis tem 4ª deflação

O cenário que começa a se delinear para a inflação no próximo ano é altamente benigno para o consumidor. É o que preveem analistas do mercado financeiro a partir das quedas consecutivas dos preços do Índice Geral de Preços ao Mercado (IGP-M), indicador usado para reajustes de uma série de contratos, em especial de aluguéis.Ontem, por exemplo, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) anunciou que em junho o IGP-M fechou mostrando uma deflação de 0,10% depois de já ter caído 0,07% em maio e 0,15% em abril. E para julho, a expectativa é de que o IGP-M possa fechar com mais uma queda de cerca de 0,05%, conforme prevê a economista do Banco Santander Luiz Rodrigues. Essa sucessão de taxas negativas de inflação deverá levar para o próximo ano um componente de baixa de preços que em muito ajudará o consumidor, que poderá desembolsar menos recursos para o pagamento de contas de luz, água, telefone, aluguel e mensalidades escolares. No Santander, a previsão aponta para o IGP-M podendo fechar o ano em curso com uma alta de 1,00%. Comparativamente à taxa de 9,80% registrada no final do ano passado, trata-se de uma desaceleração acentuada na média de reajustes dos preços. E isso deverá influenciar sobremaneira a taxa de inflação em 2010, levando o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) a uma taxa ao redor de 4,00%, abaixo do centro da meta de 4,50% - conforme o Conselho Monetário Nacional (CMN) deverá ratificar em sua reunião marcada para hoje. "No meio do ano passado já dava para se ter a ideia de que o IGP-M neste ano seria baixo. Essa percepção ficou mais clara quando o preço do barril de petróleo caiu de algo em torno de US$ 150 para um valor ao redor de US$ 60", afirma a economista do Santander, acrescentando que essa redução no preço do petróleo teve um efeito baixista em toda a cadeia produtiva de petróleo e derivados com consequências sobre os preços dos produtos químicos como adubos e defensivos agrícolas. O resultado disso foi a transmissão de preços mais baixos para a cadeia agrícola. De qualquer forma, pondera Luiza, essa preocupação hoje com a inflação do ano que vem representa ainda vestígios da indexação que o brasileiro ainda carrega. "Isso precisa acabar. Não precisamos nos preocupar com a inflação do ano em curso para ver como ficará a inflação do ano seguinte ", destaca a economista do Santander. No Banco ABC Brasil, o economista-chefe Luís Otávio de Souza Leal, se mostra otimista ao declarar que para o IGP-M encerrar este ano com uma variação acima de zero será preciso um exercício de força muito forte.

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