Taxa de investimento público cai no 1º ano do governo Dilma

Segundo estudo do Ipea, índice no Brasil está hoje em cerca de 2,5% do PIB, em comparação ao nível de 2,9% no fim de 2010

WLADIMIR DANDRADE, O Estado de S.Paulo

30 de dezembro de 2011 | 03h05

A taxa de investimento público no Brasil está hoje em cerca de 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo o estudo Como anda o investimento público no Brasil?, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), divulgado ontem em Brasília. O porcentual é menor que o verificado no último trimestre de 2010, de 2,9% do PIB.

A queda recente na taxa de investimento público, de acordo com o estudo, pode ser resultado de um comportamento cíclico, registrado em períodos pós-eleitorais. "Não se pode rejeitar a hipótese de que a evolução do investimento no ano de 2011 não está sendo atípica, mesmo que existam fortes indícios de desaceleração", diz o estudo do Ipea, lembrando que a maior parte dessa redução parece ser explicável pela influência do ciclo eleitoral e dos ajustes fiscais comuns aos primeiros anos após eleições de governadores e presidencial.

"Vale lembrar que no início do ano o governo federal anunciou cortes orçamentários de R$ 50 bilhões para cumprir a meta cheia de superávit primário no ano de 2011 e, no fim do mês de agosto, manifestou a intenção de superar essa meta (o que ainda não foi aprovado) e fazer uma economia extra de R$ 10 bilhões", reitera.

O documento do Ipea diz ainda ser provável que a taxa de investimento público em 2011 não retorne aos níveis observados no fim de 2010. "Mas ainda não é possível concluir, ao menos por enquanto, que tenha havido uma interrupção da tendência de retomada do investimento público iniciada em 2004, após serem eliminados os efeitos cíclicos e sazonais."

O estudo destaca que o próprio governo federal tem manifestado reiteradamente a intenção de preservar os contingenciamentos orçamentários e os investimentos considerados prioritários, como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

O Ipea identificou queda nas taxas nos anos de 1999, 2003, 2007 e 2011, todos na sequência de anos eleitorais.

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