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Taxa de investimentos no Brasil é metade da registrada na China

A taxa de investimentos na China ficou, na média, em 40% do Produto Interno Bruto (PIB) nos últimos quatro anos, o dobro da registrada pelo Brasil nos últimos doze meses encerrados no primeiro semestre deste ano (20,1%). Na avaliação do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), para o País crescer de forma sustentada em 5% ao ano, a taxa brasileira precisa chegar a 25%, o que exigirá o aumento da parcela dos investimentos nos gastos públicos e redução do peso das despesas correntes, prega o instituto.O cenário foi traçado pelo diretor de macroeconomia do Ipea, Paulo Mansur Levy, em entrevista ao Estado. Ele é autor de um trabalho, junto com o economista Fábio Giambiagi, que mostra que o País não conseguirá crescer 5% ao ano nos próximos anos, apenas na próxima década, por conta de duas restrições: a baixa taxa de investimentos e problemas no setor elétrico, que permitem crescimento de 4% ao ano, mas tornam arriscado um avanço maior.Segundo o economista, o Brasil já teve "a sua cara de China ou Índia" em determinado momento, nos anos de 1970. Mais precisamente em 1975, a taxa de investimento do País chegou a 36,9% do PIB, maior patamar histórico. De lá para cá, a taxa de investimento brasileira progressivamente encolheu. No período de 1995 e 2004, este indicador ficou em média em 19,3%. O instituto projeta uma taxa de investimento de 20,1% em 2006 e de 21% em 2007.O economista esteve na China no primeiro semestre, analisando dados do crescimento do País asiático. O crescimento da economia chinesa - que está na faixa dos 10% ao ano - se baseia no empuxo gerado justamente pelos investimentos. Alguns dos motivos para isso são a abertura da economia, pesados empreendimentos em infra-estrutura, ambiente macroeconômico estável e o impulso da transição de economia centralizada para a de mercado.De forma geral, o investimento chinês se baseia numa taxa de poupança também elevada, de 44%, nos últimos quatro anos - no Brasil, a taxa de poupança está em 21,9% do PIB nos doze meses até junho. A taxa chinesa se divide assim: 7% do governo, 18% famílias e 19% empresas. No caso das famílias, o sistema de previdência abrange apenas pequena parte da população e é preciso poupar para financiar a aposentadoria, além de gastos em saúde e educação no futuro.No caso das empresas, ainda segundo o boletim do Ipea, as empresas, na maior parte estatais, "não costumam distribuir dividendos, o que amplia o volume de recursos disponíveis para investimentos". Além disso, o dinamismo da economia favorece "maior lucratividade, que, por sua vez, vai se traduzir em maiores investimentos". Para o Brasil, seria preciso aumentar a contribuição do setor público na poupança, com a diminuição da proporção dos gastos correntes nos gastos públicos, abrindo espaço novos investimentos públicos.Países desenvolvidosCom a taxa de investimentos prevista para este ano pouco acima dos 20%, o Brasil não fica distante do patamar de economias avançadas, como Canadá (21,9%), França (20,3%) ou Estados Unidos (20,2%), conforme levantamento do diretor da Mandarim Gestão de Ativos, Eduardo Velho. A questão é que o "Brasil necessita muito mais que eles de elevar a taxa de investimento, de forma a sustentar um crescimento maior", diz ele. Na prática, são economias mais maduras que estão crescendo menos. Além disso, o PIB destas nações é significativamente mais alto e apesar de as taxas serem parecidas, os investimentos, na prática são também maiores em valores absolutos.

Agencia Estado,

28 de setembro de 2006 | 19h03

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