André Dusek/Estadão
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Governo reduz banda de flutuação da inflação e teto será de 6% em 2017

Conselho Monetário Nacional decidiu nesta quinta-feira reduzir de 2 pontos para 1,5 ponto porcentual a margem de flutuação do IPCA, que teve o centro da meta mantido em 4,5%; tentativa do governo é mostrar um compromisso maior no controle do indicador

O Estado de S. Paulo

25 de junho de 2015 | 19h38

Atualizado às 21h45

BRASÍLIA - Com dificuldades para controlar os preços, a equipe econômica decidiu nesta quinta-feira reforçar o compromisso do governo com a convergência da inflação para o centro da meta de 4,5%. O Conselho Monetário Nacional (CMN) reduziu de 2 para 1,5 ponto porcentual a margem de tolerância da meta de 4,5% para 2017 - ou seja, o teto da meta passa a ser de 6%, e o piso, de 3%. A meta de 4,5% e a banda de dois pontos porcentuais foram mantidas para 2016.

O recado do governo foi mostrar menos tolerância com a inflação e exigirá maior esforço do Banco Central na condução da política monetária. É por meio dessa banda que o Comitê de Política Monetária (Copom), que decide sobre a Taxa Selic, absorve os choques de alta de preço na economia.

A decisão pela redução do intervalo de tolerância da meta de inflação em 2017 está dentro do arcabouço que o Banco Central tem buscado para recompor a sua credibilidade, não apenas com o mercado financeiro, mas com a sociedade como um todo, segundo uma fonte do governo. “A meta é desafiadora e a escolha foi pela busca de mais credibilidade para o Banco Central”, afirmou a fonte.

A mudança não era consenso no governo, mas, ao final, os três ministros que integram o CMN - Joaquim Levy (Fazenda), Alexandre Tombini (Banco Central) e Nelson Barbosa (Planejamento) - decidiram pela mudança por unanimidade. A opção foi mostrar coesão na batalha contra a inflação, que se mostra resistente. Barbosa chegou a sair antes do término da reunião para uma reunião no Supremo Tribunal Federal, mas deixou antes o seu voto a favor da mudança.

O ministro Levy foi um dos principais defensores da mudança da banda. Ele encomendou um estudo à Secretaria de Política Econômica (SPE) para mostrar os benefícios da mudança para o ajuste macroeconômico que está em curso. 

Reforço. Para Luís Eduardo Assis, ex-diretor de Política Econômica do BC, a redução da banda da meta de inflação reforça o compromisso do banco com o combate à inflação a qualquer custo. É também, segundo ele, um sinal de que o Comitê de Política Monetária (Copom) vai continuar a aumentar a taxa básica de juros, a Selic. 

No entanto, de acordo com o economista, essa política de elevação de juros para combater a inflação a qualquer custo vai sair muito caro para o País. “Vai nos custar outra recessão econômica e uma crise política”, disse. Segundo ele, essa política de juros altos é incompatível com as correlações de forças políticas que apoiam o atual governo.

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Ministro da Fazenda, Joaquim Levy foi um dos principais defensores da mudança da banda
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Já o economista Fábio Romão, da LCA Consultores, avaliou de maneira bastante positiva a decisão do CMN. Segundo ele, a mudança era um desejo antigo do mercado financeiro e é uma indicação de que o objetivo do governo federal é a busca de uma inflação cada vez menos expressiva no País. “Tomara que seja um primeiro passo para a redução inclusive do centro da meta mais adiante. É um sinal de que há busca por uma inflação mais controlada e com menos inércia”, disse.

Para o economista Heron do Carmo, professor da Faculdade de Economia e Administração da USP, a redução da banda é uma atitude de bom senso do CMN. Mas, segundo ele, essa redução deveria ser feita já no próximo ano. E, em 2017, o foco deveria ser um corte propriamente dito na meta de inflação. “Se tivermos uma meta de inflação de 2% com uma banda de 1,5 ponto porcentual, a inflação oscilaria entre 0,5% e 3,5% e esse seria um patamar ótimo. É isso que tem que tem de ser perseguido.”

Em linha com o aumento da Selic, o CMN também elevou de 6% para 6,5% da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), que corrige os financiamentos do BNDES. / ADRIANA FERNANDES, CÉLIA FROUFE, LORENA RODRIGUES E VICTOR MARTINS; COLABORARAM RACHEL GAMARSKI, FRANCISCO CARLOS DE ASSIS, FLAVIO LEONEL E MÁRCIA DE CHIARA


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