Taxa de ocupação de voos domésticos é recorde

Política de contenção de oferta adotada pelas companhias ajudou a manter as aeronaves lotadas no mês passado

RIO , O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2012 | 03h03

A taxa de ocupação dos voos domésticos bateu recorde em julho ao atingir 79,45%, patamar mais elevado para o mês desde 2000, quando teve início a série histórica da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Os aviões mais cheios são resultado de uma política de contenção da oferta adotada pelas companhias aéreas. Enquanto a procura por voos dentro do País cresceu 7,86% em julho ante igual mês do ano passado, as empresas ampliaram em apenas 2,06% a oferta.

O redução da oferta foi puxada pelas líderes de mercado Gol e TAM, que colocaram, respectivamente, 9,31% e 1,35% menos passagens no mercado em julho deste ano.

A estratégia das aéreas tem o objetivo de reverter o excesso de assentos aportado no mercado no ano passado. A medida resultou na queda generalizada de tarifas e, consequentemente, em prejuízos de centenas de milhões de reais que vêm tirando a tranquilidade de executivos do setor neste ano.

Segmentação. Apesar de ter reduzido sua oferta, a TAM ganhou participação no mercado doméstico pela primeira vez desde maio do ano passado. A fatia de mercado da companhia aérea fechou julho em 41,87%, uma alta de 0,86 ponto porcentual ante o mesmo mês do ano passado. A empresa também registrou sua maior taxa de ocupação no mercado doméstico desde 2010, de 81,43%.

A vice-presidente comercial da TAM, Claudia Sender, atribui o desempenho a acertos na estratégia de segmentação de preços. "Fizemos mais campanhas e ações de redução de preço para alcançar o passageiro que viaja a lazer", disse a executiva. Segundo ela, no entanto, as promoções foram pontuais e focadas nesse público e não significam uma tendência generalizada de redução de preços.

"Não queremos provocar uma diluição total de preços, até porque não há espaço para isso neste momento de alta de custos. Mas dá para precificar a passagem de forma diferente", explicou Claudia.

A Gol foi a única das seis maiores empresas aéreas do País que perdeu mercado no segmento doméstico em julho. No mês passado, a fatia da empresa nos voos nacionais era de 32,95%, menos do que os 38,24% que detinha no mesmo mês de 2011.

A Azul somou 10,03% de participação de mercado, ante 8,97% em julho do ano passado.

Avianca, Trip e Webjet também elevaram suas participações de mercado. Entre as seis empresas que apresentaram participação superior a 1%, Avianca e Trip registraram o maior crescimento nesse período.

O crescimento das empresas médias fez a fatia de TAM e Gol recuar de 79,25% do mercado, em julho do ano passado, para 74,81% neste ano, segundo dados da Anac.

Internacional. Diferentemente do que ocorreu no segmento doméstico, a demanda por voos internacionais recuou em julho. A queda foi de 2,33% na procura por voos partindo do Brasil para outros países, enquanto a oferta foi 1,34% inferior à de igual mês de 2012.

A variação cambial deixou os voos internacionais mais caros para os brasileiros. Entre julho do ano passado e julho deste ano, a cotação do dólar aumentou cerca de 30%. / G.G. e MARINA GAZZONI

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