Taxa de pobreza nos EUA sobe e é a maior desde 1994

O Escritório do Censo dos Estados Unidos informou que a taxa de pobreza no país subiu para 14,3% em 2009, de 13,2% em 2008. A taxa do ano passado é a mais alta desde 1994. Segundo o Censo, 43,6 milhões de norte-americanos viviam na pobreza em 2009, um recorde histórico.

RENATO MARTINS, Agencia Estado

16 de setembro de 2010 | 14h16

A mediana da renda real por residência em 2009 era de US$ 49.777 anuais, não muito diferente da do ano anterior; a mediana da renda real familiar caiu 1,8%, enquanto a mediana da renda real de residências não-familiares cresceu 1,6%. A taxa de desemprego média subiu 3,5 pontos porcentuais, de 5,8% em 2008 para 9,3% em 2009. É a maior elevação desde que o Departamento do Trabalho começou a compilar dados comparáveis, em 1947.

O número de civis empregados caiu para cerca de 140 milhões em 2009, de 145 milhões em 2008, e o número de desempregados cresceu para 14 milhões, de 9 milhões em 2008.

"A deterioração do mercado de trabalho de 2008 para 2009 foi a pior que nós já vimos. Quando vemos uma grande deterioração no mercado de trabalho, a pobreza cresce. A vasta maioria das pessoas neste país depende do mercado de trabalho para sua renda", disse a economista Heidi Shierholz, do Economic Policy Institute de Washington.

Para o economista Lawrence Katz, da Universidade Harvard, embora a economia norte-americana tenha crescido no segundo semestre do ano passado, muitas famílias continuaram a enfrentar dificuldades. "A maior parte daquele crescimento do PIB não se decantou para a família típica. O PIB se mostrou em grande parte nos lucros das empresas, mas não na renda dos trabalhadores. A produtividade cresceu, mas os benefícios disso não se traduziram em elevação dos salários", disse Katz.

O Escritório do Censo também informou que o número de norte-americanos com seguro-saúde caiu para 253,6 milhões em 2009, de 255,1 milhões em 2008. É a primeira redução desde que dados comparáveis começaram a ser coletados, em 1987. O número de pessoas sem seguro-saúde elevou-se para 50,7 milhões, de 46,3 milhões em 2008; 10% das crianças norte-americanas não tinham nenhum seguro-saúde no ano passado.

O número de norte-americanos com planos de saúde privados representava 63,9% da população no ano passado, número mais baixo desde que a coleta de dados comparáveis começou, em 1987. A parcela da população coberta por seguros de saúde baseados no emprego (nos quais o empregador paga parte das contribuições) caiu para 55,8% em 2008, também o mais baixo desde 1987. A parcela daqueles cobertos por programas de saúde governamentais cresceu para 30,6% em 2008, número mais alto desde 1987. As informações são da Dow Jones.

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