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Taxa de retorno para as rodovias deveria ir de 7,2% para 8,3%

Especialista em custo de capital diz que mudanças na economia global e protestos no Brasil levam a uma revisão do cálculo

ALEXA SALOMÃO, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2013 | 02h13

A instabilidade financeira, política e regulatória já estaria pressionando o valor da taxa interna de retorno das concessões públicas. O porcentual de 7,2%, oferecido pelo governo para a concessão de rodovias, por exemplo, já seria insuficiente para remunerar os investidores. O valor considerado mais justo teria passado para 8,3%.

O cálculo foi feito pelo economista Antonio Zoratto Sanvicente, professor do Insper e especialista em análise do custo de capital em projetos de investimento de empresas. Segundo Sanvicente, a taxa subiu porque dois riscos importantes aumentaram em curto espaço de tempo. O primeiro deles foi o risco externo. "Os investidores estão atentos à mudança de política monetária nos Estados Unidos e retirando recursos de países emergentes, como o Brasil", diz Sanvicente. "Esse movimento reduziu o preço das ações no Brasil - e o preço das ações precisa ser levado em consideração quando se faz o cálculo."

O outro risco é regulatório e tem forte componente político: o fato do poder público suspender reajustes de tarifas, especialmente de transporte, após os protestos. Mesmo que as empresas sejam ressarcidas com subsídios, já não se sabe se contratos de concessões vão ser cumpridos à risca. "As manifestações trouxeram um risco novo e quanto maior o risco, maior o preço", diz Sanvicente.

Para fazer o cálculo da taxa de retorno, Sanvicente utilizou indicadores como a variação do mercado acionário no Brasil, o risco país e o valor dos títulos do Tesouro americano na última segunda-feira. O governo adota os mesmos indicadores, mas como uma diferença: em vez de utilizar valores atuais, recorre a médias históricas. "Essa metodologia distorce o resultado, porque não lê a realidade do momento atual", diz o Sanvicente. O risco cambial não foi utilizado pelo professor porque há cerca de três anos o governo deixou de considerá-lo.

Definir a taxa de retorno do investimento em concessões públicas tem se mostrado um problema no governo de Dilma Rousseff. Inicialmente, foi oferecida uma taxa de 5,5%, considerada insuficiente pelos investidores. Preocupado em tirar as concessões do papel, o governo aceitou rever o valor e subiu a taxa para 7,2% em 13 de maio.

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