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Taxa do cheque especial ainda é 34 vezes a Selic

Ainda não houve uma solução saudável para o usuário contumaz e já enredado em contas que não consegue pagar

Fábio Gallo, O Estado de S. Paulo

06 de janeiro de 2020 | 05h00

As novas regras do cheque especial são boas para os clientes dos bancos?

Taxas de juros menores são sempre bem-vindas para o tomador de crédito. Mas muito cuidado com o andor. A taxa média do cheque especial no fim de 2019 estava em 12,39% ao mês, o que representa 306,56% ao ano segundo dados do Banco Central. Obviamente há clientes pagando taxas mais altas do que essa média, abaixo somente clientes muito especiais. Com as novas regras, a taxa de juros máxima do cheque especial é de 8% ao mês, 151,82% ao ano, metade do que era cobrado. No entanto, temos juros muito altos. Basta comparar com a taxa básica de juros da nossa economia, a Selic, que está em 4,5% ao ano, ou seja, o cheque especial ainda vai estar perto de 34 vezes maior que a básica. A novas regras permitem que os bancos cobrem uma tarifa de 0,25% sobre valores disponíveis acima de R$ 500. Como exemplo, alguém que mantenha cheque especial de R$ 10 mil e não utilize esse crédito ao longo do ano terá um custo de R$ 285. Essa tarifa é descontada em caso de utilização e pagamento de juros.

O fato é que intervenções na economia sempre geram algum ruído negativo e podem levar a outros desequilíbrios. O usuário desse produto tem de entender que está usando um dinheiro que acha que é seu, gastando de maneira que não deveria gastar e pagando a peso de ouro por esse consumo. O cheque especial é uma alternativa somente para casos de real necessidade. Agora quem quiser manter esse tipo de conta vai ter de pagar por isso.

Em suma, o Banco Central está colocando em prática uma forma de pedagogia pela dor. Provavelmente os bancos irão propor alternativas para os clientes que mantêm pacotes de serviços. Mas temo que ainda não houve uma solução saudável para o usuário contumaz e já enredado em contas que não consegue pagar. A saída é a educação financeira que busque criar hábitos de consumo consciente e de organização do orçamento familiar.

Todo mundo fala de inteligência artificial, inclusive propagandas de bancos. Mas isso tudo está realmente afetando os serviços financeiros?

Antever todas as mudanças em nossa vida trazidas pela inteligência artificial (IA) ainda é muito difícil, estamos engatinhando nesse processo. Basta lembrar como era nossa vida antes e depois do telefone celular, o impacto trazido por iPphone (2006), iPad (2010), Facebook, WhatsApp, Waze e tantas outras inovações. Em relação aos serviços bancários, já temos nítidas transformações trazidas pela IA.

As instituições financeiras estão investindo e rapidamente passando a utilizar a IA e isso está exigindo reestruturação dos modelos de negócios, até mesmo levando a um novo patamar de colaboração entre essas organizações – a parceira em determinadas atividades será essencial. O relatório “A nova física nos serviços financeiros: Inteligência artificial transforma o ecossistema das finanças”, elaborado pela Deloitte com o Fórum Econômico Mundial, aponta várias transformações pelas quais passa essa indústria.

A busca de formas para manter a lealdade do cliente, reduzir custos internos e garantir a privacidade e a portabilidade deverá moldar a capacidade das instituições financeiras em implantar IA. Espera-se para o cliente a redução dos custos de transações, maior liberdade na realização de operações e na troca de agentes intermediários, maior eficiência operacional, informações mais precisas e mais claras para todos e efetividade da segurança de seus sistemas.

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