Taxa do cheque especial sobe para 200%, a maior em 15 anos

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Taxa do cheque especial sobe para 200%, a maior em 15 anos

Inadimplência cai, mas juro médio do cheque especial cobrado em dezembro atinge 200,6% ao ano, o maior desde fevereiro de 1999

Mariana Congo, O Estado de S. Paulo

27 de janeiro de 2015 | 10h51



Apesar da inadimplência cair pela primeira vez em cinco meses, a escalada do juro cobrado pelos bancos no cheque especial continua. E a alta da modalidade vai na contramão da média dos demais empréstimos para o consumidor, cujas taxas registraram queda em dezembro.

A taxa média cobrada no cheque especial em dezembro de 2014 chegou a 200,6% ao ano - um aumento de 9 pontos porcentuais ante novembro, quando estava em 191,6% ao ano. Os dados foram divulgados nesta terça-feira, 27, pelo Banco Central (BC).

Com isso, o juro médio do cheque especial registrado em dezembro foi o maior em mais de 15 anos: em fevereiro de 1999 era de 204,3% ao ano. A taxa básica de juros, a Selic, uma das referências para a definição dos demais juros ofertados no mercado, era de 25% ao ano em fevereiro de 1999. Em dezembro passado, marcava 11,75% ao ano.

Atrasos. A inadimplência do cheque especial ficou em 9,5% em dezembro - a primeira queda desde junho do ano passado. Mas a redução veio um mês depois dos atrasos registrarem o maior nível da série de dados do Banco Central: 11% em novembro.

"Enquanto a inadimplência geral da pessoa física está acomodada, a do cheque especial está no maior nível histórico e subiu muito rápido. Com o risco maior, a taxa da modalidade tem que ser maior", diz o economista-chefe da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), Nicola Tingas.

Em comparação, a inadimplência do crédito livre para o consumidor caiu ligeiramente: de 6,6% em novembro para 6,5% em dezembro. Os dados se referem aos pagamentos com mais de 90 dias de atraso em pelo menos uma parcela.

Economia fraca. Consequência da economia em marcha lenta e da inflação mais alta, muitos consumidores têm problemas para fechar as contas do fim mês e acabam recorrendo a empréstimos fáceis e rápidos - e por isso mais caros -, como o cheque especial e o cartão de crédito.

É comum o consumidor não perceber que "caiu" no cheque especial, pois já tem um limite pré-aprovado pelo banco para usar sempre que sua conta fica no vermelho. "Muitas pessoas ainda excedem o próprio limite do cheque especial. E às vezes banco aprova novos limites sem a autorização do consumidor", diz a supervisora de assuntos financeiros do Procon-SP, Renata Reis.

Apesar da alta contínua do cheque especial, outros empréstimos para a pessoa física registraram juros menores em dezembro. A taxa média de crédito para o consumidor (recursos livres), caiu de 44,5% ao ano em novembro para 43,4% ao ano em dezembro. De acordo com Tingas, da Acrefi, a acomodação das taxas gerais já reflete, além da economia fraca, a expectativa do mercado de que o ajuste das contas do governo trará resultados e de que o juro básico será menor no futuro.

Os recursos livres englobam os empréstimos e financiamentos que não fazem parte das políticas do governo (como os recursos da poupança, que são direcionados ao crédito imobiliário). O crédito livre considera o cartão de crédito, o cheque especial, o crédito para compra de veículos, os empréstimos pessoais, entre outros.

Atenção, consumidor. Se for verificado que o cliente foi mal informado sobre as condições e custos do empréstimo via cheque especial, o Procon pode pedir uma conciliação entre consumidor e instituição financeira e o estorno das taxas cobradas pelo banco.

É imprescindível entender como funciona a cobrança das taxas e sempre analisar o extrato da conta corrente, recomenda Renata Reis, do Procon-SP. Além disso, se o consumidor constantemente "cai" no cheque especial, o ideal é avaliar se vale a pena fazer um empréstimo mais barato, como uma linha de crédito consignado ou pessoal.

Enquanto o cheque especial cobra juros de 200% ao ano, o consignado está no patamar de 25,9% ao ano. O crédito pessoal, 45,3% ao ano, de acordo com os dados de dezembro do Banco Central.


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