Taxa extra de energia é "seguro contra falta de chuva"

Cerca de 33 milhões de consumidores residenciais de energia elétrica no País deverão pagar um adicional de R$ 0,49 para cada 100 kilowatts/hora gastos. Segundo o governo federal, a cobrança dessa taxa emergencial deverá ter início a partir do próximo mês. O diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Eduardo Ellery, disse hoje que a taxa ?é um seguro contra situações hidrológicas críticas?, ou seja, para quando chover pouco no Brasil. Segundo ele, esse adicional será cobrado até 2006.Em entrevista exclusiva concedida esta manhã à Rádio Eldorado AM/SP, ele explicou que a cobrança acontece no exato momento em que o mercado de energia elétrica está em transição. "Houve a necessidade de que se aumentasse os investimentos no setor e para isso o governo está alugando uma série de usinas. Esse aluguel será pago com o dinheiro proveniente dessa taxa de R$ 0,49 cobrados na conta de energia". Ellery disse que esse adicional será cobrado durante quatro anos - até 2006 -, prazo para a criação da Comercializadora Brasileira de Energia Elétrica Emergencial. Seguro - Essa energia só estará sendo gerada se houver pouca água nos reservatórios das hidrelétricas brasileiras, e funciona como um seguro que será pago pelos usuários, tanto residenciais como comerciais, exceto os considerados de baixa renda. "Um consumidor de 200 kilowatts/hora, por exemplo, passará a pagar uma taxa pouco inferior a R$ 1,00. Para as pessoas físicas, essa cobrança do "seguro" representará um reajuste de cerca de 2% nas contas de energia" - explicou.Sobre o fim do subsídio cruzado, que obriga os consumidores residenciais a pagarem mais pela energia para permitir um preço menor para os industriais, Eduardo Ellery falou que essa é uma das principais decisões que ainda estão em estudo pela Câmara de Gestão da Crise de Energia. Ele lembrou que outras 32 medidas também estão sendo analisadas pelo Ministério do Apagão e que o governo pretende implantá-las até o mês de junho. Reajuste - Ele previu, ainda, que o preço da energia elétrica poderá ser reajustado este ano em até 15%, baseado no IGP-M, que é uma das taxas que mede a inflação, e de acordo com as condições da economia no País ao longo de 2002.

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