Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Taxa média do cartão de crédito passa de 335% ao ano em abril, aponta BC

Número é afetado pelos efeitos da segunda onda da pandemia, já que o rotativo do cartão é uma modalidade de crédito emergencial muito acessada em momentos de dificuldade

Fabrício de Castro e Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

28 de maio de 2021 | 12h59

BRASÍLIA - Em meio às dificuldades das famílias para fechar as contas durante a pandemia de covid-19, o juro médio total cobrado pelos bancos no rotativo do cartão de crédito subiu 0,7 ponto porcentual de março para abril, informou o Banco Central nesta sexta-feira, 28. A taxa passou de 334,6% para 335,3% ao ano.

Os números são influenciados pelos efeitos da segunda onda da pandemia, que voltou a colocar em isolamento social parte da população e reduziu a atividade das empresas. O rotativo do cartão, como o cheque especial, é uma modalidade de crédito emergencial, muito acessada em momentos de dificuldades.

O juro do rotativo é uma das taxas mais elevadas entre as avaliadas pelo BC. A taxa da modalidade rotativo regular passou de 306,2% para 309,8% ao ano de março para abril. Nesse caso, são consideradas as operações com cartão rotativo em que houve o pagamento mínimo da fatura.

A taxa de juros da modalidade rotativo não regular, que inclui as operações nas quais o pagamento mínimo da fatura não foi realizado, passou de 356,8% para 355,2% ao ano. 

No caso do parcelado, ainda dentro de cartão de crédito, o juro passou de 167,6% para 165,7% ao ano. Considerando o juro total do cartão de crédito, que leva em conta operações do rotativo e do parcelado, a taxa passou de 64,6% para 65,4%.

Em abril de 2017, começou a valer a regra que obriga os bancos a transferir, após um mês, a dívida do rotativo do cartão de crédito para o parcelado, a juros mais baixos. A intenção do governo com a nova regra era permitir que a taxa de juros para o rotativo do cartão de crédito recuasse, já que o risco de inadimplência, em tese, cai com a migração para o parcelado.

Atualmente, porém, o risco de inadimplência aumentou, justamente porque muitas famílias estão enfrentando redução de renda, na esteira da pandemia.

Aumento na concessão de crédito

O Banco Central informou que as concessões de crédito para empresas e famílias subiram 4,8% em abril ante março na série dessazonalizada. No caso de pessoas físicas, essas concessões avançaram 10,2% e, no das empresas, caíram 0,3%.

Os números mostram que, em abril, as concessões no crédito livre - que reúne operações que não utilizam recursos do BNDES ou da poupança - subiram 3,6%. No caso das pessoas físicas, houve alta de 9,3%. Para as empresas, a queda foi de 5,5%.

Entre as concessões no crédito direcionado (recursos do BNDES e da poupança), houve alta em abril ante março de 4,9%. Para as pessoas físicas, houve elevação de 10,3%. No caso das empresas, o recuo foi de 24,3%.

Os números apresentados nesta sexta pelo BC são influenciados pelos efeitos da segunda onda da pandemia de covid-19, que voltou a colocar em isolamento social parte da população e reduziu a atividade das empresas.

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