Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Taxa média do cartão de crédito vai a quase 335% ao ano em março, mostra BC

Número é afetado pelos efeitos da segunda onda da pandemia, já que o rotativo do cartão é uma modalidade de crédito emergencial muito acessada em momentos de dificuldade

Fabrício de Castro e Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

29 de abril de 2021 | 10h58

BRASÍLIA - Em meio às dificuldades das famílias para fechar as contas durante a pandemia de covid-19, o juro médio total cobrado pelos bancos no rotativo do cartão de crédito subiu 8,1 pontos porcentuais de fevereiro para março, informou nesta quinta-feira, 29, o Banco Central. A taxa passou de 326,8% para 334,9% ao ano.

Os números são influenciados pelos efeitos da segunda onda da pandemia, que voltou a colocar em isolamento social parte da população e reduziu a atividade das empresas. O rotativo do cartão, juntamente com o cheque especial, é uma modalidade de crédito emergencial, muito acessada em momentos de dificuldades.  

O juro do rotativo é uma das taxas mais elevadas entre as avaliadas pelo BC. A taxa da modalidade rotativo regular, em que são consideradas as operações em que houve o pagamento mínimo da fatura, passou de 295,1% para 306,2% ao ano de fevereiro para março.

A taxa de juros do rotativo não regular passou de 352,2% para 356,8% ao ano. Essa modalidade inclui as operações nas quais o pagamento mínimo da fatura não foi feito.

No caso do parcelado, ainda dentro de cartão de crédito, o juro passou de 167,1% para 167,6% ao ano.

Considerando o juro total do cartão de crédito, que leva em conta operações do rotativo e do parcelado, a taxa passou de 63,1% para 65,1%.

Em abril de 2017, começou a valer a regra que obriga os bancos a transferir, após um mês, a dívida do rotativo do cartão de crédito para o parcelado, a juros mais baixos. A intenção do governo com a nova regra era permitir que a taxa de juros para o rotativo do cartão de crédito recuasse, já que o risco de inadimplência, em tese, cai com a migração para o parcelado.

Atualmente, porém, o risco de inadimplência aumentou, justamente porque muitas famílias estão enfrentando redução de renda, na esteira da pandemia.

Outras linhas

No geral, a taxa média de juros no crédito livre subiu de 28,1% ao ano em fevereiro para 28,6% ao ano em março. Para as pessoas físicas, a taxa média de juros no crédito livre aumentou de 40,1% para 41,0% ao ano de fevereiro para março, enquanto para as pessoas jurídicas seguiu em 13,8%.

Entre as principais linhas de crédito livre para a pessoa física, destaque para o cheque especial, cuja taxa caiu de 124,9% ao ano para 121,0% ao ano de fevereiro para março. No crédito pessoal, a taxa passou de 33,2% para 33,7% ao ano.

Desde julho de 2018, os bancos estão oferecendo um parcelamento para dívidas no cheque especial. A opção vale para débitos superiores a R$ 200. Em 6 de janeiro de 2020, o BC passou a aplicar uma limitação dos juros do cheque especial, em 8% ao ano (151,82% ao ano).

Além da limitação do juro, os dados de hoje refletem uma revisão realizada na série histórica do BC. De acordo com a autarquia, os números passaram a considerar o fato de alguns bancos cobrarem juro no cheque especial apenas após dez dias de atraso no pagamento da fatura. Antes, era considerado todo o período de atraso. Esta mudança fez com que o nível do juro no cheque especial, na nova série histórica, fosse menor em anos anteriores.

Os dados divulgados pelo Banco Central mostraram ainda que, para aquisição de veículos, os juros foram de 20,0% ao ano em fevereiro para 20,6% em março.

A taxa média de juros no crédito total, que inclui operações livres e direcionadas (com recursos da poupança e do BNDES), foi de 19,8% ao ano em fevereiro para 20,0% ao ano em março. Em março de 2020, estava em 22,7%.

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