Taxa para consumidor sobe mais que Selic

Segundo Anefac, impacto na taxa média deve ser de 0,5 ponto

Renée Pereira, O Estadao de S.Paulo

16 de abril de 2008 | 00h00

O provável aumento de 0,25 ponto porcentual na taxa Selic hoje, para 11,5% ao ano, será um ingrediente a mais para pressionar os juros cobrados ao consumidor. Desde dezembro, com o agravamento da crise americana, as taxas dos empréstimos e financiamentos inverteram o movimento de queda e começaram a subir nos principais bancos e financeiras do País. Acompanhe online a decisão do Copom sobre a taxa Selic Enquete: Se juro subir, você vai reduzir compras a prazo? Especial: Compare o juro ao consumidor com a taxa SelicNo cheque especial, os juros subiram de 138,1% em dezembro para 146% ao ano, em fevereiro, segundo dados do Banco Central (BC). A alta atingiu até mesmo as taxas do financiamento de veículos, que subiram de 28,8% para 31,2% ao ano. No crédito pessoal, avançou de 45,8% para 52,6%. O relatório do Banco Central referente ao mês de março ainda não foi divulgado, mas dados do Procon-SP e da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) mostram que as taxas continuaram subindo no mês passado.O movimento deverá ser intensificado pela provável alta hoje da Selic. Segundo simulações feitas pela Anefac, um aumento de 0,25 ponto porcentual teria impacto de 0,52 ponto na taxa para o consumidor. Com isso, na média, os juros anuais subiriam de 132,39% para 132,91%. Os cálculos mostram que os maiores impactos seriam sentidos nas taxas do empréstimo pessoal das financeiras, cartão de crédito e cheque especial, com altas de 0,78, 0,71 e 0,54 ponto porcentual, respectivamente.Na simulação, os juros anuais do comércio subiriam 0,46 ponto com a alta de 0,25 ponto da Selic. O avanço, entretanto, não deve ser suficiente para frear as compras dos consumidores, destaca o vice-presidente da Anefac, Miguel José Ribeiro de Oliveira. Isso porque os consumidores olham o tamanho da prestação e se cabe no orçamento familiar. Na compra de uma geladeira, de R$ 800 em 12 vezes, a elevação de cada prestação será de apenas R$ 0,10. Ou seja, a medida do BC não teria eficiência para conter a demanda, dizem os especialistas.JURO REALSe a Selic subir também vai reforçar a liderança do Brasil no ranking de juros reais (descontada a inflação projetada para os próximos 12 meses). Segundo cálculos da UPTrend Consultoria Econômica, com o resultado do Copom, a taxa real brasileira atingirá 6,8% ao ano, a maior do mundo. Em segundo lugar aparece a Turquia, com 5,6% ao ano. A Austrália está em terceiro lugar com 4,6% e a Colômbia em quarto, com 3,4%. O México fica com a quinta colocação, com 3,2%. A taxa média mundial ficou em 0,5%.

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