Andre Dusek/Estadão
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Taxa Selic: o que é e como ela mexe com seu bolso

Principal instrumento de política monetária do país no combate à inflação, a taxa pode mexer em empréstimos, financiamentos e aplicações

Paulo Roberto Netto, O Estado de S.Paulo

28 de fevereiro de 2019 | 16h24
Atualizado 17 de março de 2021 | 19h06

A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira e o principal instrumento de política monetária do Banco Central no controle da inflação. Por influenciar todas as taxas de juros do País, a Selic pode ter um peso no bolso do consumidor quando se trata de empréstimos, financiamentos e aplicações financeiras.

A sigla vem de Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, no qual o Banco Central opera diariamente na emissão, compra e venda de títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional.

Como a taxa Selic é definida?

A meta da Selic é regulada a cada 45 dias em encontros a portas fechadas do Comitê de Política Monetária, o Copom, desde 1996. A definição é influenciada por fatores como inflação, taxa de câmbio, importações e exportações, e a atividade e a perspectiva de crescimento econômico do País.

Em um cenário de inflação alta, o Copom pode elevar a Selic para desestimular o consumo. A medida pode aumentar os juros do cartão de crédito, empréstimos e cheques. A estratégia busca levar o consumidor a adiar uma compra e, assim, controlar a inflação.

Em uma situação prática: quem vai ao banco simular um empréstimo para comprar um carro poderá ver o plano falhar se a Selic subir no mês seguinte. Isso porque o aumento da taxa fará com que as prestações fiquem mais caras do que foi originalmente simulado, forçando o consumidor a repensar o empréstimo e a compra.

No cenário oposto, a intenção do Copom é estabelecer uma política monetária para estimular o consumo e a economia por baixar os juros ao consumidor. Na teoria, o crédito fica mais acessível e o brasileiro voltaria a comprar.

Qual a taxa Selic hoje?

Em março de 2021, o Copom depois de quase seis anos, voltou a subir juros para controlar a inflação e colocou a Selic em 2,75% ao ano. A previsão do mercado é de que a taxa continue avançando, terminando 2021 em 4,5% ao ano e 2022 em 5,5% ao ano.

Como a Selic mexe com o bolso do brasileiro?

A Selic estável há tanto tempo não é mais determinante na concessão de crédito ao brasileiro. Hoje, os bancos se guiam pelos risco de o consumidor dar um calote. Assim, as instituições financeiras mantêm taxas de juros de empréstimo e financiamento bem mais altas que a Selic.

Para os investimentos de renda fixa, a Selic baixa não é boa. A taxa estagnada desestimula os fundos, antes refúgios de investidores mais conservadores, pois eles só ganham da caderneta de poupança quando a taxa de administração for menor que 1% ao ano, independentemente do prazo do resgate.

Quais investimentos são mais afetados pela Selic?

A influência mais direta ocorre no Tesouro Selic, título pós-fixado do Tesouro Direto no qual o investidor tem a remuneração atrelada à taxa. Outros investimentos de renda fixa, como o Certificado de Depósito Bancário (CDB), também são afetados e competem com a poupança sobre a melhor forma de fazer o dinheiro render.

Nesse cenário, os investidores têm buscado outras opções para aumentar a rentabilidade das aplicações, como a Bolsa de Valores, onde o lucro pode ser maior, assim como os riscos.

Como a Selic mexe com a poupança?

A rentabilidade da poupança é diretamente ligada à Selic desde 2012, quando o rendimento da aplicação passou a ser calculado de acordo com a taxa definida pelo Copom.

Em casos da Selic igual ou menor a 8,5%, a poupança renderá 70% da Selic mais a taxa referencial. Quando a Selic está acima de 8,5%, a caderneta rende 0,5% ao mês mais a mesma taxa referencial. Em outras palavras, se a Selic estiver baixa, a tendência é menor rendimento da caderneta de poupança.

Como funciona a taxa Selic?

A Selic é definida nas operações de empréstimos de um dia entre instituições financeiras com o uso de títulos públicos do Tesouro como garantia. Por lei, todo banco deve depositar uma determinada porcentagem de seus depósitos em uma conta do Banco do Brasil. O objetivo é evitar uma circulação descontrolada de dinheiro e, consequentemente, controlar a inflação.

Ao fim do dia, no entanto, é comum um banco não atingir a meta e pedir empréstimo a outras instituições financeiras usando os títulos do Tesouro como garantia. Em linhas gerais, é como oferecer o carro ou o imóvel como garantia ao fazer um empréstimo ou financiamento no mercado.

Ao receber o dinheiro de volta, a instituição financeira que emprestou o dinheiro ao banco cobra juros. A taxa média das taxas de juros praticadas nessas operações determina a Selic. O Banco Central atua nessas operações para garantir que essa taxa média esteja alinhada com a meta estabelecida pelo Copom.

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