Ed Ferreira/Estadão
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Taxa trimestral de desemprego sobe para 8,6% em julho, a maior desde 2012

Na pesquisa do IBGE, o resultado é maior do que os 8% vistos no trimestre anterior e do que os 6,9% registrados no mesmo período de 2014; renda do trabalhador ficou em R$ 1.881 nos três meses encerrados em julho, alta de 2% em relação ao ano passado

Idiana Tomazelli, O Estado de S. Paulo

29 Setembro 2015 | 09h23

RIO - A taxa de desocupação no Brasil ficou em 8,6% no trimestre até julho de 2015, de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua divulgados nesta terça-feira, 29, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Trata-se do maior resultado desde 2012, quando a série teve início. A taxa apurada também é maior do que a observada em igual período do ano passado, que ficou em 6,9%. No trimestre móvel até abril deste ano, a taxa havia sido de 8,0%.

A renda média real do trabalhador foi de R$ 1.881,00 trimestre até julho de 2015. O resultado representa alta de 2,0% em relação ao período de maio a julho de 2014 e recuo de 0,9% ante os três meses até abril deste ano. A comparação é feita com o trimestre até julho ante o trimestre até abril para que não haja repetição das informações coletadas, segundo o IBGE, já que a cada mês são visitados 33% dos domicílios da amostra.

A massa de renda real habitual paga aos ocupados somou R$ 164,1 bilhões no trimestre até julho de 2015, alta de 2,3% ante igual período do ano passado e recuo de 0,9% ante o trimestre até abril deste ano.

Combustível. O número de desempregados em todo o País aumentou 26,6% no trimestre até julho ante igual período do ano passado, diz o IBGE. Isso significa que 1,810 milhão de pessoas passaram a buscar uma vaga nesse período. Com isso, o Brasil tinha, nos três meses até julho, 8,622 milhões de desempregados, o maior nível da série, iniciada em janeiro de 2012.

A maior procura por emprego é o principal combustível para o avanço da taxa de desocupação. A força de trabalho, que inclui as pessoas que estão empregadas e quem está atrás de uma vaga, cresceu 2,1% no trimestre até julho ante igual período de 2014. Ou seja, 2,064 milhões de pessoas ingressaram na população ativa.

Só que a geração de vagas foi insuficiente para acomodar esse contingente. Em um ano, foram destruídos 927 mil empregos formais. No mesmo tipo de confronto, a população ocupada avançou 0,3%, isto é, foram abertos 255 mil novos postos de trabalho em todo o País. O restante ficou na fila de desemprego, contribuindo para a maior taxa de desocupação. 

Além disso, nenhum desses postos de trabalho era formal, com carteira assinada e seus respectivos benefícios. Com isso, o total de pessoas empregadas no setor privado com carteira assinada diminuiu 2,5% no trimestre até julho ante igual período de 2014. Em divulgações passadas, o IBGE já vinha chamando atenção para este número, pois indica queda na qualidade do emprego no Brasil.

Por outro lado, a modalidade de inserção por conta própria vem ganhando espaço. Em um ano até o trimestre findo em julho de 2015, essa categoria cresceu 4,2%, ou seja, 883 mil pessoas ingressaram nesse tipo de emprego, que é marcado por elevado grau de informalidade.

Com os resultados, o País tem 35,739 milhões de empregados com carteira assinada no setor privado e outros 22,111 milhões de trabalhadores por conta própria. No caso do emprego formal, é o menor contingente desde o trimestre até setembro de 2013 (35,636 milhões), enquanto o conta própria reúne o maior número de pessoas da série da pesquisa, iniciada em janeiro de 2012.

Inativos. A população fora da força de trabalho (os inativos) também cresceu, mas menos do que em períodos anteriores. O avanço foi de 0,4% no trimestre até julho ante igual período de 2014, a menor alta da série. Ao todo, 242 mil pessoas saíram da força de trabalho.

Desde janeiro de 2014, o IBGE passou a divulgar a taxa de desocupação com periodicidade trimestral para todo o território nacional. A nova pesquisa tem por objetivo substituir a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), que abrange apenas seis regiões metropolitanas, e também a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) anual, que produz informações referentes somente ao mês de setembro de cada ano.

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