Taxas de crédito superam os 80% ao ano

Para bancos, itens como risco de inadimplência, impostos e custos de captação definem o juro na ponta

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

14 de julho de 2013 | 02h10

Mesmo com a taxa básica de juros no menor porcentual da história, os brasileiros continuaram a pagar caro pelos empréstimos. Hoje, a Selic está hoje em 8,5% ao ano, mas os consumidores pagam taxas de mais de 80% ao ano, segundo a Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).

Uma das explicações, segundo especialistas, é que a taxa cobrada pelos bancos é resultado de cinco fatores. Além do custo de captação, que normalmente é a Selic, também entram nessa equação os impostos do setor, o risco de inadimplência, as despesas administrativas e o lucro dos bancos.

O diretor executivo de estudos financeiros da Anefac, Miguel Oliveira, diz que as taxas de juros diminuíram mais do que a Selic, mas ainda poderiam cair muito mais. "As pessoas não sentem a redução das taxas porque os juros, apesar da queda, ainda estão muito altos."

Para ele, um dos motivos que permitem juros elevados é a concentração bancária, que reduz a competição entre as instituições. Segundo Oliveira, os dez maiores bancos brasileiros têm quase 90% de todo o sistema financeiro do País.

O professor de economia e finanças da Fundação Dom Cabral Rodrigo Zeidan acredita que outro problema está no tipo de concorrência estabelecida no Brasil. Ele aponta que a disputa não é feita via preço, como deveria. "Numa propaganda de banco, você vê ele dizer que é bonito e tem agência em todo lugar. Você não vê propaganda dizendo: 'vamos te empresar mais barato'."

Zeidan lembra que a Justiça também encarece a conta. "Temos um sistema jurídico caro e ineficiente. Se o banco tentar cobrar uma dívida, será caro e demorado", ponderou. Ele também argumenta que o custo dos empréstimos caiu, mas não o suficiente. "Diminuiu, mas continua inviável."

Bancos. A reportagem entrou em contato com os cinco maiores bancos do País para questionar os critérios para formação das taxas de juros e perguntar se elas foram reduzidas no último ano.

A Caixa informou que considera fatores como tributos, custo de captação, perda de crédito, custos administrativos e margem líquida de lucro para definir as taxas. Segundo o banco, as taxas médias para pessoa física caíram 43,5% na comparação de dezembro com fevereiro de 2012.

O Itaú Unibanco afirmou ter reduzido as taxas diversas vezes ao longo do ano passado e disse que a alíquota final é formada pelos custos de captação do dinheiro e os de operação do banco, como despesas administrativas, impostos, salários e benefícios.

O Santander comunicou ter repassado as reduções da Selic para seus produtos de crédito, sem indicar os valores. O banco disse, ainda, que as taxas de juros "podem variar de cliente a cliente em função de fatores como o seu relacionamento com o banco, capacidade de crédito e as condições de cada produto". Banco do Brasil e Bradesco não responderam. / L.A.

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