Taxas de juros despencam na BM&F

O recuo do dólar, após o anúncio do Tesouro de que as compras de moeda estrangeira no mercado não passarão de US$ 1,2 bi este ano (em lugar de "até US$ 3 bi"), teve reflexo direto nos juros. As taxas despencaram na BM&F, nos dois contratos de DI futuro mais negociados e caíram também nas operações com títulos do Tesouro no mercado secundário. O mercado já dava sinais, desde ontem à noite, que poderia ter uma recuperação nesta quinta-feira. O recuo das taxas começou na negociação eletrônica, iniciada após o fechamento de ontem do pregão na BM&F, com a divulgação da deflação de 0,05% registrada pelo IGP-M na primeira prévia de fevereiro. Este resultado contrariou boatos de que o IGP-M seria ruim. Assim, o mercado já começou o dia de hoje no processo de correção do fechamento mais pessimista de ontem. E como a entrevista com as autoridades do Tesouro ocorreu ainda pela manhã, o impacto do recuo do dólar se fez sentir nos juros desde cedo. No final desta tarde, outra boa notícia: o IGP-DI de janeiro mostrou inflação de 0,49%, um resultado baixo para o primeiro mês do ano, quando geralmente há pressão sobre os preços por parte de três fatores sazonais (produtos agrícolas, impostos e educação). No caso, como os produtos agrícolas no atacado tiveram deflação de 0,62%, o efeito sazonal foi menor. Para alguns analistas, na verdade o mercado de juros "precisava" dessa volatilidade de preços verificada nos últimos dias para cavar oportunidades de lucro, já que os prêmios, ao final de janeiro, estavam bem pequenos. Mas há um limite para a "engorda" dos prêmios (que implica alta dos juros), porque, seriamente, ninguém acredita que o cenário atual, por mais que o mercado esteja com pé atrás em relação à economia norte-americana, justifique uma alta de juros no Brasil. Na pior das hipóteses, poderia prevalecer a manutenção. Este limite para a "engorda" dos prêmios parece, portanto, já ter sido atingido e o mercado recuou. Como faltam poucos dias úteis para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para dia 14, os juros podem não voltar para os níveis tão baixos que estavam há cerca de duas semanas, mas procurarão um nível de ajuste mais razoável. Para a reunião do Copom, mantêm-se as apostas básicas de que a Selic será mantida nos atuais 15,25% ou reduzida em 0,25 ponto porcentual. De qualquer forma, as disputas pelas presidências da Câmara e do Senado (as eleições estão marcadas igualmente para dia 14), que acabaram também tendo um certo peso, ainda que pequeno, no comportamento dos juros esta semana, apontam para a volta de outro tema às mesas de operação do mercado: a sucessão presidencial de 2002. Na BM&F, o juro projetado pelo contrato futuro para 1º de outubro (o mais negociado) despencou para 15,43% ao ano (de hoje ao vencimento), dos 15,62% do fechamento de ontem. A taxa de julho, segundo em termos de liquidez, caiu para 15,18%, dos 15,34% do fechamento anterior. E a de abril fechou em 15,09%, ante 15,11% de ontem (este contrato está perdendo liquidez).

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