Taxas de juros voltam aos níveis pré-crise

No cheque especial, redução foi a maior desde janeiro de 1995

Renée Pereira e Yolanda Fordelone, O Estadao de S.Paulo

13 de agosto de 2009 | 00h00

As taxas de juros cobradas em julho recuaram pelo sexto mês consecutivo e atingiram o menor nível desde dezembro de 2007. Nas linhas voltadas para pessoa física, a taxa média caiu de 7,26% para 7,21% ao mês. Já nas modalidades para empresas, os juros caíram de 4,12% para 4,06%, segundo levantamento feito pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).Nessa carteira, o maior corte foi verificado na linha de conta garantida, cuja taxa recuou de 5,55% para 5,42% ao mês. Em seguida aparece capital de giro, de 3,74% para 3,69% - o menor nível desde maio de 2002. Nas operações de crédito para pessoa física, apenas as taxas do cartão de crédito não sofreram alteração em julho.A maior queda foi verificada no cheque especial, que teve redução de 0,10 ponto porcentual no mês, de 7,54% para 7,44%. Trata-se da menor taxa da série histórica da Anefac, iniciada em janeiro de 1995. O mesmo ocorreu com o juro do CDC oferecido pelos bancos, cujas taxas médias recuaram de 2,78% para 2,75% ao mês.Na avaliação do vice-presidente da Anefac, Miguel José Ribeiro de Oliveira, a pesquisa já demonstra o retorno das condições de crédito anteriores à crise em setembro de 2008, tanto no alongamento dos prazos como na redução dos juros. Ele avalia que as taxas e as condições de crédito (ampliação dos prazos, aumento do volume emprestado, maior flexibilidade) deverão melhorar ainda mais neste segundo semestre de 2009. "Daqui pra frente veremos um ciclo de redução constante dos juros ao consumidor, independentemente de a Selic cair mais ou não", observa ele, negando que esteja sendo otimista demais. A explicação está na maior concorrência entre os bancos, que terão de recorrer mais ao crédito para elevar seus rendimentos."Os títulos públicos, que antes eram importante fonte de renda dos bancos, deixarão de ser tão atrativos com o recuo da Selic", acredita ele. Para Oliveira, a tendência é de queda, tanto nas operações para pessoa física como para empresas.

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