Wilton Júnior/Estadão
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TCU aponta sobrepreço de R$ 673 mi nas obras da Refinaria de Abreu e Lima

Obras das unidades de coqueamento retardado da refinaria em Pernambuco foram tocadas por consórcio integrado pela Camargo Corrêa, investigada na Operação Lava Jato, e a CNEC Engenharia

Fabio Fabrini, João Villaverde, O Estado de S. Paulo

12 de agosto de 2015 | 21h37

BRASÍLIA - O Tribunal de Contas da União (TCU) detectou sobrepreço de R$ 673 milhões nas obras das unidades de coqueamento retardado da Refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco, tocadas por um consórcio integrado pela Camargo Corrêa, investigada na Operação Lava Jato, e a CNEC Engenharia. Os auditores do tribunal analisaram itens que custaram R$ 1,4 bilhão à Petrobrás. O valor inflado irregularmente corresponde, portanto, a quase a metade dos componentes, que poderiam ter custado R$ 785 milhões à estatal. O contrato e seus 16 aditivos alcançaram, no total, R$ 3,8 bilhões.

Conforme as análises, o sobrepreço chegou a até 174%. Em seu voto, o ministro Benjamin Zymler destacou que os porcentuais excedem, e muito, os valores por ora apurados na investigação do esquema de corrupção da Petrobrás. “Na Lava Jato, é dito e repetido que as propinas corresponderam a 1%, 2%, 3% dos contratos. Estamos falando de 114%. Os números são muito maiores que esses absurdos números que nos causam perplexidade. Muito provavelmente, vão superar a casa de dezenas milhões de reais”, disse.

Em nota, o consórcio integrado pela Camargo Corrêa informou que apresentará ao TCU “os esclarecimentos de que não procede a acusação de sobrepreço, apresentada em atualização de relatório preliminar”.

A auditoria foi possível pelo compartilhamento de informações da 13.ª Vara da Justiça Federal no Paraná. O tribunal analisou os contratos e cruzou informações com as notas fiscais apresentadas pelas empresas. Os executivos da Camargo Corrêa fecharam acordos de delação premiada com a Justiça do Paraná e admitiram o pagamento de propina envolvendo a obra da Refinaria de Abreu e Lima. 

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