Sérgio Neves/Estadão
Sérgio Neves/Estadão

TCU avalia regularidade de empréstimo da Caixa para J&F comprar Alpargatas

Em uma operação pouco usual no mercado brasileiro, o banco financiou 100% da compra das ações da Alpargatas que foram passadas para controladora da JBS

Dayanne Sousa, O Estado de S.Paulo

13 Setembro 2016 | 13h07

SÃO PAULO - Está aberto no Tribunal de Contas da União um processo para examinar a regularidade do empréstimo realizado pela Caixa Econômica Federal à holding J&F. O processo tem como relator o ministro Raimundo Carreiro da Silva.

Em uma operação pouco usual no mercado brasileiro, a Caixa financiou em dezembro do ano passado 100% da compra das ações da Alpargatas que estavam nas mãos da Camargo Corrêa e foram passadas para a J&F Investimentos. O banco liberou R$ 2,7 bilhões em um empréstimo com prazo de pagamento de sete anos, sendo dois de carência, para o grupo da família Batista.

Na época, a J&F pagou o equivalente a 12,8 vezes o Ebitda da Alpargatas, destaca em comentário a equipe da Guide Investimentos. Em média, dizem os analistas, empresas do setor são negociadas a valores menores, entre 8 e 10 vezes o Ebitda. Deste modo, caso a compra tenha que ser revista, isso poderia impactar o prêmio com que atualmente são negociadas as ações da Alpargatas.

Procurada, a Caixa não se manifestou alegando sigilo bancário.

A notícia afeta nesta terça-feira, 13, os papéis de empresas do grupo J&F na Bolsa, como a empresa de alimentos JBS e a própria Alpargatas. Além disso, pesa a determinação da Justiça Federal de afastar Wesley e Joesley Batista do comando de quaisquer empresas, na sequência da Operação Greenfield. A JBS informou, há pouco, a nomeação de José Batista Júnior como diretor presidente interino da empresa e José Batista Sobrinho como presidente do conselho de administração. 

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