TCU critica 'discrepância' de investimentos em refinaria em PE

Ministro classifica como "um sério problema" a forte diferença entre as estimativas da estatal para o projeto

Alessandra Saraiva, da Agência Estado,

28 de setembro de 2009 | 16h10

O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) José Jorge de Vasconcelos Lima criticou nesta segunda-feira, 28, a discrepância entre projeções da Petrobrás de investimento na refinaria Abreu e Lima (PE), projeto que está sendo desenvolvido com a venezuelana PDVSA. Em palestra promovida na Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ), o ministro classificou como "um sério problema", para plateia composta por empresários, a forte diferença entre as estimativas da estatal para o projeto, inicialmente orçado em US$ 4 bilhões, e que agora demandará em torno de US$ 12 bilhões, de acordo com cálculos mais recentes da empresa. Na análise do ministro, houve um "superfaturamento nas estimativas da obra".

 

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Ao ser questionado por jornalistas sobre o assunto, Lima comentou ter achado as projeções "estranhas". "Não é normal que uma empresa do tamanho da Petrobrás faça uma estimativa de uma obra de US$ 4 bilhões, e depois aumente a estimativa para US$ 12 bilhões", observou. "É uma coisa que realmente causa estranheza", completou.

 

Porém, ele fez questão de observar que sua análise era "como pessoa física" e que o TCU não pode proceder investigações com base apenas em projeções. "É uma estimativa que não tem um reflexo imediato. O que investigamos são os valores reais de cada etapa da obra", explicou. Entretanto, considerou que a diferença muito pronunciada nas estimativas fará com que o TCU acompanhe com atenção o andamento do empreendimento. "Teremos um cuidado especial com essa obra", assegurou.

 

Na semana passada, a Petrobrás divulgou comunicado sobre o assunto, esclarecendo que o investimento na refinaria ainda não foi aprovado pela diretoria da empresa, e que está trabalhando para reduzir os custos da refinaria.

 

Ex- ministro das Minas e Energia, Lima comentou sobre outro empreendimento relacionado no setor energético: o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), no município de Itaboraí. A Petrobrás estima investimentos da ordem de U$ 8,3 bilhões no projeto. Segundo ele, o TCU permanece em sua investigação sobre suspeitas de superfaturamento nos custos de terraplanagem na obra. "A obra parou, mas não pedimos a suspensão (das atividades)", afirmou. O Comperj deve entrar em operação a partir de 2012.

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