'Técnicas para o solo podem ser usadas tanto aqui quanto em Marte'

Brasileiro participou de missão da Nasa que enviou robô Curiosity a Marte; projeto inspirou criação de um robô para análise do solo apresentado por Embrapa e USP

Entrevista com

Ivair Gotijo

Anna Carolina Papp, O Estado de S. Paulo

22 de novembro de 2014 | 11h39

Nascido em Moema, pequena cidade de Minas Gerais, Ivair Gotijo, engenheiro de sistemas da Nasa, trabalhou na missão que inspirou os pesquisadores brasileiros na criação do rover Mirã.

1. Qual foi a sua participação no robô Curiosity, enviado a Marte?

Trabalhei no MSL (Mars Science Laboratory), que mandou o rover Curiosity para Marte. Liderei a equipe que construiu os transmissores e receptores do radar que controlou a descida final em Marte. O nosso equipamento media a distância que a gente estava do solo e a velocidade de descida, e passava essa informação para um computador que controlava foguetes para diminuir a velocidade, porque o veículo desceu com suas próprias rodas.

2. Como o senhor descobriu que a Embrapa e a USP estavam desenvolvendo um modelo similar para a agricultura?

Foi por acaso. Eu estava dando uma palestra no Instituto de Física da USP em São Carlos, em maio deste ano, e uma das pesquisadoras da Embrapa (Débora Milori) assistiu à minha palestra. Nós conversamos e ela me convidou a vir à Embrapa conhecer o trabalho deles, que é pioneiro. Eles desenvolveram um instrumento para medidas do solo aqui que é muito parecido com um dos instrumentos que foi para Marte e está sendo usado lá para estudar as rochas marcianas. É interessante ver que é possível usar essas técnicas físicas tanto no outro mundo, em Marte, como aqui na Terra para desenvolvimento da agricultura, para estudo e composição do nosso solo.

3. Em qual projeto o senhor está trabalhando no momento?

Desde 2010, estou trabalhando num outro estudo. Estamos planejando mandar uma sonda, um satélite para a Europa, que é a segunda lua do planeta Júpiter. Júpiter tem 67 luas: as quatro maiores, mais próximas do planeta, foram descobertas em 1608, pelo Galileu, e a Europa é a segunda delas. Essa lua é coberta por uma camada muito espessa de gelo, e a gente acredita que abaixo do gelo existe um oceano de água líquida e salgada. Então, a gente quer mandar uma missão para Júpiter  para confirmar a presença desse oceano e fazer medidas para ver a habitabilidade dessa lua - se vida poderia se desenvolver lá.

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